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Informações e Comentários!

23out

PARA REFLEXÃO : O QUE É O “NOVO PENSAMENTO”

    FOTO A LEI DO NOVO PENAMENTOPara nossa reflexão e debates responsáveis, selecionamos um trecho de autoria de  William Walter ATKINSON, como segue:

    " ... Ó que é o ´novo pensamento ? Vejamos. Em primeiro lugar é o nome pelo qual é mais conhecida aquela grande onda de espiritualidade e pensamento psíquico que passa pelo mundo, varrendo para longe dogmas antiquados, credos, materialismo, fanatismo, superstição, infidelidade, intolerância, perseguição , egoísmo, medo,  ódio, tirania intelectual e despotismo, preconceito, mesquinhez, doença e até talvez a morte. É a onda que nos traz libertação, liberdade, autoajuda, amor fraternal, destemor, coragem, confiança, tolerância, avanço, desenvolvimento de poderes latentes, sucesso, saúde e vida. Representa tudo que faz o homem ser melhor."

    [Em:  ATKINSON, William Walker. A Lei do Novo Pensamento. A construção mental e o principio da lei da atração. Tradução de Cecilia Padovani. Jandira, São Paulo, Princípio,2021.  p.13. Título Original: The law of the new thought.]

06out

VELHICE NÃO É DOENÇA

    FOTO ADVOGADA MARIA JOANNAMaria Joana Barni ZUCCO (Advogada , Membro  da Associação Nacional  de Gerontologia  de Santa Catarina-ANG-SC; Ex-Conselheira   em Conselhos  do Idoso-CMI -Florianópolis, CEI-SC e CNDI), a convite de nosso Blog, escreveu a excelente crônica “Velhice não é doença”. Merece leitura atenta e reflexiva. O inteiro teor segue:

    “Quero  que as marcas  do meu corpo  falem do meu histórico de vida, em todas as  suas dimensões; não de minhas  doenças.

    A velhice é uma fase  muito almejada da vida, uma vez que  a grande maioria das pessoas (para não  dizer  a totalidade)  não  quer  morrer jovem. A velhice é para  ser  vivida!

    A doença, sintomática ou não, é detestada; deve  ser  tratada, seja para  aliviar  os sintomas, seja para  evitar  que seus efeitos nos sistemas  e órgãos levem  à morte.

    Longevidade significa vida longa, velhice,  e tem a ver com vida.

    O envelhecimento é um processo personalíssimo: pode-se chegar a uma situação típica de velhice em diferentes momentos da vida cronológica e em diferentes condições. A velhice decorre de fatos de nossa existência e se consolida ao longo da nossa vida. As influências experimentadas nas diferentes etapas do viver, sejam elas  físicas, mentais, sociais  ou  espirituais,  formarão  a base  do indivíduo que  chega  à velhice.

    Não se fica velho aos 60 anos. Conforme o art. 6º do Plano de Ação Internacional sobre o Envelhecimento, importante documento da Segunda Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, realizada em Madri (2002), “o envelhecimento é um processo natural que ocorre  ao longo de toda a experiência de vida do ser humano, por meio de escolhas e de circunstâncias”.

    Contudo, é preciso reconhecer  que, com o envelhecimento, é comum o aparecimento de  “fragilidades” que poderão propiciar a  instalação de algumas doenças  muito comuns  nessa fase  da vida. Mesmo assim, não se pode confundir  doença  com velhice.

    Para a Política Nacional  da Saúde do Idoso (MS - Portaria 2.528/2006) no idoso, o conceito de saúde se traduz mais pela sua condição de autonomia e independência que pela presença ou ausência de doença orgânica. Ou seja, saúde, para o idoso, está relacionada à capacidade de gerir a sua própria vida,  de cuidar de si mesmo, de tomar  suas  decisões. Tudo isso, mesmo que tiver  alguma doença, sintomática ou não.

    A decisão da Organização Mundial da Saúde de atribuir um código de doença à “velhice” é no mínimo assustadora. Gerará efeitos contraditórios às medidas em prol do Envelhecimento Ativo e Saudável pelo qual vem trabalhando há anos, assim como às recentes propostas contidas na estratégia denominada Década do Envelhecimento Saudável (2021 - 2030). Além disso, propiciará o crescimento do preconceito contra a velhice – o ageísmo – já suficientemente difundido e causador de sofrimento às pessoas idosas.

    Por último, cabe ressaltar as  consequências perversas para a epidemiologia. Atualmente, a CID é uma das principais ferramentas epidemiológicas no cotidiano dos médicos, monitorando  a  incidência  e a prevalência  das enfermidades que afetam  as pessoas mais velhas. Sem diagnósticos pormenorizados, faltarão informações necessárias à investigação das reais causas de mortes bem como investimentos para o tratamento dessas doenças. Velhice não demanda tratamento.

    Assim, urge que órgãos públicos e privados, nacionais e internacionais, se manifestem contra a classificação de velhice como doença, na nova  versão da CID, a vigorar  a partir  de  2022. Só chegará à velhice quem não morrer cedo; portanto, velhice é meta de vida.

    Definitivamente não é doença!

                                           ====================

25set

OS RATOS DA PÁTRIA

    FOTO RICARDO ROSANosso Colaborador Permanente Professor e Advogado Ricardo José da ROSA (Presidente do Conselho Deliberativo do IASC) proferiu Discurso NA SESSÃO DE JUBILAMENTO PROMOVIDA PELA OAB/SC EM 16 DE SETEMBRO deste 2021. O Professor Ricardo autorizou nosso Blog a publicar o discurso , cujo título original é : "OS RATOS DA PÁTRIA". 

    Segue  o texto para leitura e reflexões:

    “Certo dia, um gatinho perguntou à sua mãe gata: mamãe, quantos anos vive um rato? E a mamãe gata respondeu: depende de nós, meu filho. Vivemos momentos conturbados, tormentosos, e não posso deixar de questionar quantos anos mais viverão os ratos da pátria, que tanto mal vem causando ao nosso país, ao povo brasileiro, corrompendo e sendo corrompidos, desviando valores que deveriam ser usados em benefício do povo, inclusive nas áreas da educação e da saúde.

    E, voltando ao questionamento, concluo que depende de nós, os anos que os ratos ainda permanecerão vivos na política brasileira. Poderão permanecer em sua nefasta missão por muitos e muitos anos, ou poderão ser defenestrados definitivamente da política a partir do próximo ano. Temos o poder de eliminar os ratos da pátria através do voto, única maneira democrática e eficaz, assim como podemos deixá-los, pela omissão, permanecer.

    No próximo ano teremos eleições e  exerceremos a escolha para reconduzir aos seus cargos aqueles que demonstraram merecimento para a permanência, por competência, probidade e trabalho, pois não é ilegal nem imoral nosso reconhecimento aos que fizeram um bom trabalho e poderão continuar a fazê-lo; poderemos fazer a escolha para eleger novos representantes que integrarão os Poderes Executivo e Legislativo assim como, também pelo voto, poderemos eliminar da vida pública aqueles que por tanto tempo nos tem desonrado.

    Como advogados temos ciência da nossa responsabilidade e certamente agiremos de acordo com nossa consciência, mas mais que isso, devemos usar nossa condição de formadores de opinião para orientarmos outros cidadãos, principalmente os que durante muito tempo foram enganados, para que usem a Cidadania como única fonte para a escolha. Unamo-nos na tarefa árdua, porém imprescindível,  de desinfetar nossa Pátria de seus ratos.

    Mas, esta noite é especial para nós, jubilados, retomemos, pois, ao tema principal dessa sessão.

    Alcançamos a condição de jubilados preenchendo basicamente dois requisitos: a trajetória na Advocacia por, pelo menos, 30 anos e a idade que nos qualifica, legalmente, como idosos.

    No primeiro caso um filme de  vida com certeza passa pela memória de cada um de nós. Os primeiros desafios, os primeiros casos, as dificuldades, derrotas e vitórias. Nesse filme cabem diversos agradecimentos, reconhecimento a pessoas que fazem parte de nossa história.

    Para quem acredita, como eu, o principal agradecimento é para Deus, o Grande Arquiteto do Universo que nos concedeu forças, saúde e coragem para o exercício da advocacia. Outros agradecimentos para familiares, colaboradores, incentivadores. Cada um de nós, com certeza, temos a quem agradecer.

    No segundo caso, a idade que nos proporciona algumas dores nas costas e outros sintomas não muito agradáveis, também nos concede direitos e deveres.

    Quanto a estes, os deveres, ressalto dois que considero mais relevantes: o dever de sermos faróis para os mais jovens, iluminando um caminho de retidão e ética, estudo e trabalho para que sigam suas próprias trajetórias e alcancem o merecido êxito e também o dever de lhes deixar uma mensagem de ordem prática.

    Neste momento recorro à lição do filósofo catarinense Huberto Rodhen, contemporâneo e amigo de Albert Einstein: “Seja tão potente a força de teu espírito, seja tão pujante a juventude de tua alma - que nenhuma ingratidão te faça ingrato! Nenhuma derrota te faça derrotista! Nenhuma amargura te faça amargo! Nenhuma injustiça te faça injusto!

    Obrigado."

19set

QUÃO PERTO ESTAMOS REALMENTE DA DISTOPIA?

    FOTO GIANCARLO MOSERO Prof. Dr. GIANCARLO MOSER, nosso Colaborador Permanente, trata da DISTOPIA, assunto muito interessante, estimulando reflexão e debate.

    Vale a pena ler, como segue:

    “Para começar, vale a pena definir 'distopia': “Um estado ou sociedade imaginária em que há grande sofrimento ou injustiça, normalmente um que é totalitário ou apocalíptico”

    E se o que pensamos que será o futuro agora for cancelado nos dias de hoje? Estamos supostamente em um caminho irrefreável em direção a veículos sem motorista, "casas inteligentes" totalmente automatizadas conectadas à Internet e inteligência artificial absoluta  - mas, então, nos prometeram carros voadores por meio século, e eles ainda estão (supostamente) apenas como protótipos. Vivemos em uma época em que a mudança tecnológica é retratada como uma força inexorável e impessoal: é melhor aprendermos a surfar neste tsunami ou nos afogar. Mas, como Sociedade, sempre temos uma escolha sobre a direção que tomaremos a seguir. E às vezes tomamos a decisão errada.

    A tecnologia não é apenas algo que acontece conosco; é algo que podemos decidir construir e usar, ou não! Por um lado, a história está cheia de maravilhas tecnológicas que foram abandonadas por motivos que só foram reavaliados muito mais tarde.

    Para a maioria das pessoas no final do século 19, quando frotas de táxis elétricos operavam em Londres e Nova Iorque, o carro elétrico estava claramente vencendo a alternativa fóssil movida a gasolina. Mas, então, vastas reservas de petróleo foram descobertas nos EUA, e o futuro mudou.

    Até que, no final do século 20, o aquecimento global e os avanços na tecnologia das baterias fizeram os carros elétricos parecerem uma boa ideia novamente. Da mesma forma, os discos de vinil tiveram um ressurgimento importante na era do MP3: não necessariamente porque são um formato sonoro objetivamente melhor, mas porque acabou que as pessoas gostavam de possuir sua cultura como objetos físicos.

    Assim como ressuscitamos ideias do passado, também temos o poder de enterrar ideias no presente - seja por motivos comerciais ou para o bem público em geral.

    A tecnologia não é apenas algo que acontece inevitavelmente; é algo que podemos decidir construir e usar, ou não. Devemos, por exemplo, permitir que qualquer pessoa faça alterações hereditárias no DNA dos humanos? Muitos pensadores sobre inteligência de máquina, entretanto sugerem que o cenário supostamente de ficção científica de uma Inteligência Artificial consciente escapando de sua caixa e assumindo o controle do mundo representa uma ameaça existencial tão enorme para a humanidade que devemos tomar medidas agora para evitar que isso aconteça.

    Não muito menos alarmante, e muito mais próximo, é o momento em que “Deepfakes” - imagens e vídeos gerados por computador - se tornam indistinguíveis da coisa real. Assim, à medida que o trabalho continua acelerado em deepfakes, estamos caminhando como em direção a uma distopia da mídia na qual nada pode ser confiável, e as únicas pessoas a se beneficiar serão líderes autoritários que insistem em suas próprias realidades fantásticas. Portanto, é difícil não pensar que os pesquisadores que desenvolvem tecnologia agora estão trabalhando ativamente, quer percebam ou não, para destruir a democracia liberal. Devemos apenas sentar e deixá-los, porque a tecnologia sempre vai acontecer de qualquer maneira?

    Não devemos, e é hora de rejeitar o mito mais amplo de que a tecnologia é apolítica! Estamos tão acostumados a ouvir que o progresso tecnológico é bom e inevitável que parece apenas senso comum.

    Mas essa ideia pode não deixar de estar relacionada ao fato de que as pessoas que a promovem são principalmente as pessoas com grande interesse financeiro na adoção de novas tecnologias.

    Assim como nossos futuros passados não precisam estar mortos para nós, nosso futuro presente não é obrigatório.”

12set

O IASC E O ENFRENTAMENTO AO SUICÍDIO

    FOTO ADVOGADA CARLA RAIMUNDOA Advogada CARLA RAIMUNDO- OAB/SC n. 55.450 (Presidente da Comissão de Enfrentamento ao Suicídio do Instituto dos Advogados de Santa Catarina-IASC, Engenheira Agrônoma pela UFSC, Especialista em Naturologia Aplicada pela UNISUL, Pós Graduada em Direito Previdenciário pela CESUSC, Secretária da Casa da Cultura Jurídica em várias gestões) , atendeu nosso convite e produziu texto especial  sobre o enfrentamento ao suicídio e o IASC. Merece leitura atenta ,com  reflexões e o engajamento às ações de enfrentamento ao suicídio. Inteiro teor, a seguir:

    “Setembro chegou e vestiu-se de amarelo!

    Vestiu-se na cor eleita para simbolizar a luta contra o suicídio, mal que acomete um número cada vez maior de brasileiros, estando atrás, apenas, da violência urbana e dos acidentes de trânsito como causa de morte de jovens com idades entre 15 e 29 anos.

    Em tempos de COVID, nos quais milhões de pessoas lutam, desesperadamente, para manterem-se vivas, nos deparamos com a  inabilidade que temos de lidar com o suicídio, que ceifa quase um milhão de vidas todos os anos, ao redor do mundo, muitas delas de pessoas com saúde física plena. Só no Brasil, são cerca de 11.000 suicídios ao ano.

    Apesar de ser tratado pela Organização Mundial da Saúde como uma epidemia silenciosa, o suicídio é um problema de saúde pública não enfrentado adequadamente,

    A falta de visibilidade, em razão das normas que regem a divulgação do suicídio na mídia, visando a evitar o estímulo a novos casos, faz com que esse seja um problema subestimado.  Faz com que pensemos que são raros os casos ocorridos e que esse mal está longe de nós, o que constitui um enorme equívoco, na medida em que o suicídio não escolhe classe social, idade, raça, sexo ou tipo físico.

    Talvez pelo estigma que envolve a questão ou, mesmo, por nossa resistência a pensar sobre a morte, temos dificuldade de abordar o tema abertamente.

    Já é consabido que falar sobre suicídio não estimula a ocorrência desse fenômeno. No entanto, calar-se sobre o tema possibilita a consumação de muitas mortes que poderiam ser evitadas. E, de acordo com a OMS, cerca de 90% dos suicídios podem ser evitados.

    BOTEGA (2015)[1] esclarece que o suicida, no geral, não quer morrer, quer, somente, calar a dor profunda que lhe acomete a alma e com a qual, por algum motivo, não consegue lidar. SCHNELDMAN (apud BOTEGA, op. cit), considerado o Pai da Suicidologia, afirma que, em suicídio, a palavra-chave não é a morte, mas “psychache”, a dor da alma, termo por ele cunhado. Essa dor psíquica insuportável leva a um estreitamento cognitivo e a pensamentos dicotômicos, passando o suicídio a ser visto como única saída possível.

    O suicídio pode ser planejado, caso o indivíduo possua uma ideação que se perpetua no tempo, ou pode ser feito de inopino, mormente em situações de vergonha ou culpa extremas, desonra ou outra situação com o qual ele não consegue lidar racionalmente naquele momento, o que faz com que ceda à pulsão da morte, que contraria o instinto natural de preservação da vida. Muitas pessoas que foram dissuadidas de cometer suicídio, contudo, reconhecem que as possíveis causas para o ato eram problemas de ordem menor ou de fácil solução, mas, que, no entanto, entrou em ressonância com alguma ferida já existente na alma.

    Fato é que a literatura especializada propugna que o suicídio é, sempre, um ato complexo. CASSORLA (2021)[2], por exemplo, afirma que “o ato suicida constitui o evento final de uma complexa rede de fatores que foram interagindo durante a vida do indivíduo [...]”.

    Já SALOMON (2018)[3] nos apresenta o suicídio como um “crime de solidão”. Efetivamente, muitos sobreviventes de tentativas de suicídio afirmam que gestaram a ideia de pôr fim às suas vidas em momentos nos quais se sentiam na mais absoluta solidão, que persistia mesmo quando tinham muitas pessoas ao seu redor. Muitos deles se ressentiam de não ter quem os ouvisse sem julgamentos, com empatia e com atenção, ou, ainda, de não terem sido acolhidos em sua dor.

    De fato, às vezes negligenciamos pedidos de socorro, porque, na vida cotidiana, alguns de nossos contatos são empaticamente pobres ou apressados. Ou, ainda, porque levantamos defesas psíquicas fortes quando uma situação dessa nos acerca, o que torna nossa percepção embaçada. Talvez porque não queiramos nos responsabilizar por alguém que quer pôr fim à própria vida ou por termos resistências de várias ordens (legais, religiosas, culturais) à prática do suicídio ou, ainda, porque não saberíamos, de qualquer modo, o que fazer em eventual situação criada pela manifestação da intenção suicida de alguém. (BOTEGA, op. cit.) Ou, quem sabe, por pensarmos que, não sendo psicólogos ou médicos, não temos qualquer ascendência sobre a situação?

    Contrario sensu a esse pensamento, a psicóloga Karina Fukumitsu, autora de vários livros sobre o assunto, afirma, enfaticamente, que qualquer pessoa pode fazer o primeiro acolhimento ou primeira abordagem, ouvindo o potencial suicida - sem interrompê-lo com suas opiniões acerca dos  problemas apresentados ou com soluções instantâneas para eles -, validando a sua dor, que, de todo modo, lhe é legítima, e o conduzindo (não apenas sugerindo) para os serviços e profissionais especializados, que possuem habilidades específicas para tentar evitar o suicídio.

    Diante da constatação de que a maior parte dos suicídios pode ser evitada e de que todos podemos agir para evitá-los, o IASC resolveu abraçar a causa da prevenção do suicídio, criando, para tanto, uma Comissão própria, que tem por missão  promover ações junto às escolas e ao público, de forma ampla, visando a trazer a questão a lume e, com o apoio e supervisão de profissionais da área da saúde e de voluntários do CVV, esclarecer pais, professores e estudantes, bem como a população, em geral, acerca de estratégias possíveis para a redução do número absurdo de suicídios com o qual hoje convivemos, dando uma chance para que a crise existencial seja ressignificada e o indivíduo possa reconciliar-se com a vida.

    Além do material impresso a ser distribuído especialmente nas escolas, a prevenção do suicídio será abordada no site www.enfrentandoosuicidio.com e nas páginas da Comissão junto às redes sociais, visando a atingir, efetivamente, seu público-alvo prioritário, que são os jovens.

    Todos estão convidados a participar.

    Para mais informações, visite nosso site.

    [1] BOTEGA, Neury José. CRISE SUICIDA. Avaliação e Manejo. Porto Alegre: ARTMED, 2015.

    [2] CASSORLA, R.M.S. ESTUDOS SOBRE SUICÍDIO. Psicanálise e saúde mental. São Paulo: Blucher, 2018.

    [3] SALOMON, Andrew. UM CRIME DE SOLIDÃO. Reflexões sobre o suicídio. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. "

01set

A PROPOSTA DE MUDANÇA DO IMPOSTO DE RENDA IMPULSIONA A REFORMA TRIBUTÁRIA da PEC N. 110/19

    FOTO FABIO PUGLIESI NOVA PARA BLOGO nosso Colaborador Permanente Prof. Dr. Fabio PUGLIESI traz assunto atual e relevante sobre a Proposta de Mudança do Imposto de Renda e a Reforma Tributária constante na PEC n. 110/19. Inteiro teor, a seguir:

    “A retirada de urgência do projeto de lei n. 2337/21 pelo Poder Executivo, chamado de “reforma do imposto de renda”, embora se trate tão somente de mudança legislativa neste imposto de competência do Poder Legislativo.

    Importante destacar que é na Câmara dos Deputados que se inicia o trâmite dos projetos de lei de iniciativa do Poder Legislativo.

    Em 2018 retomou a importância da renovação do sistema tributário, uma vez que encerrou o ciclo das commodities e a queda dos preços do petróleo encerrou o projeto do Brasil de dispensar as reformas política e tributária, dado que os royalties do petróleo, que os Estados e Municípios tanto disputaram, não chegaram ao nível projetado.

    Já no final do ano legislativo de 2018 a Comissão Especial da Reforma Tributária da Câmara para a PEC n. 293/04 aprovou o relatório do deputado Luiz Carlos Hauly que extingue nove tributos, entre eles a chamada “contribuição previdenciária das empresas sobre a folha de salários”, e institui de fato um Imposto sobre Valor Agregado, denominado Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), em cumprimento ao acordo do Brasil com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico.

    Em vista da apresentação da PEC n. 45/19 na Câmara dos Deputados é instituída a Comissão Mista que apresentou sugestões  que permitiram ao relator da PEC N. 110/19 rever seu relatório após debates com especialistas e lideranças da Sociedade Civil, realizadas no plenário do Senado Federal, o que reitera a importância do tema.

    O Projeto de Lei n. 2337/21, a par de corrigir a tabela progressiva do imposto de renda pago pelas pessoas físicas e procurar deter a distorção gerada pela tabela progressiva, bem como reduzir a tributação das pessoas jurídicas, propôs uma tributação única de vinte por cento na distribuição de lucros das empresas e, na prática, extinguiu os juros sobre o capital próprio ao extinguir sua dedutibilidade pelas grandes empresas. De qualquer forma, foram tantos os substitutivos do Projeto de Lei original que fica difícil imaginar como estes temas podem ser retomados a partir deste Projeto de Lei.

    Antes de prosseguir cabe retomar o porquê dos dividendos passarem a ser isentos.

    A instituição dos juros sobre o capital próprio, aliás, constituiu a contrapartida para as empresas capitalizadas, à época da extinção da correção monetária do balanço patrimonial, na transição do cruzeiro para o real. Ademais, por ser considerado o juro sobre o capital próprio no cálculo dos dividendos obrigatórios da sociedade anônima, foi mais fácil isentar os dividendos para evitar muitos regimes de tributação na distribuição do lucro.

    O fato é que essa assimetria, expediente para não tumultuar o mercado de capitais na década de 90, permaneceu e acabou sendo usada por parte da classe média profissionalizada se trabalhar sem gerar despesa da contribuição previdenciária sobre a folha de salário para a empresa que paga a remuneração de seu trabalho.

    A falta de racionalidade do debate acabou por impulsionar a PEC N. 110/19 que propõe, também, a extinção desta contribuição das empresas e alertou aos optantes da chamada “pejotização” é uma estratégia precária em risco.

    Ademais, o relatório da Comissão Mista admitiu que a proposta Contribuição sobre Bens e Serviços que extingue o PIS e COFINS, objeto do projeto de lei n. 3887/20 de iniciativa do Poder Executivo, que se desinteressou de impulsionar para ir ao tema do Imposto de Renda, deve ser o teste o Imposto sobre Bens e Serviços que deverá substituir o ICMS e o ISS nos quatro anos subsequentes.

    Desta forma, e para encerrar essas breves reflexões,  verifica-se que o consenso democrático da PEC n. 110/19 contribui também para o consenso, ainda que parcial, que permite ao Brasil seguir sua  experiência de democracia de massas e tem tido o apoio das diferentes forças políticas. Ainda que, naturalmente, discordem de alguns aspectos."

24ago

SOBRE A ORDEM INTERNACIONAL: para reflexões

    FOTO CAPA MANOEL GONÇALVES"É notório o fato de existir , hoje, uma forte tendência a sujeitar os Estados a uma autoridade, ou se se quiser , a uma ordem internacional. Essa tendência integradora tem hoje uma força e uma amplitude que nunca se manifestou antes da História. Sem dúvida, o primeiro impulso que nela se faz presente é a velha necessidade de segurança que sempre através dos tempos levou os Estados a aliarem-se uns aos outros. A unificação do globo produzida pelo progresso dos meios de comunicação, o sentimento de interdependência resultante do intercâmbio econômico, a aproximação das culturas, o reconhecimento da igualdade da natureza humana  etc. , tudo isso contribui para a integração internacional. Não chegou esta , porém ,afirmar o princípio da supremacia da ordem internacional em outra base que não a da voluntária submissão dos Estados." [FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 40.ed. São Paulo: Saraiva, 2015. p. 79 e 80.]

12ago

IDOLATRANDO POLÍTICOS (ou “a destruição da Democracia”)

    FOTO GIANCARLO MOSERO Prof. Dr. GIANCARLO MOSER, nosso Colaborador Permanente, trata da Idolatria de Políticos, em crônica na qual expressa sua opinião a respeito do relevante tema e traz estímulos para reflexão. Merece leitura atenta, em inteiro teor,  a seguir:

    “Idolatria é um termo genérico para referir-se a quaisquer práticas de adoração a ídolos, sejam religiosos ou não; tais práticas estão subentendidas no conceito de idolatria como incoerentes com valores e ideias associadas a um Deus transcendente, e por tal natureza único. A idolatria é considerada um dos maiores pecados nas religiões abraâmicas. Não obstante, quais imagens, ideias e objetos, constituem idolatria, e quais constituem uma adoração válida é um assunto de discussões por autoridades e grupos religiosos. A palavra idolatria herda dos radicais gregos eidolon + latreia, onde eidolon seria melhor traduzido por "corpo", e latreia significando "adoração" - neste sentido representaria mais uma adoração às aparências corporais do que de imagens simplesmente. Os povos da Antiguidade possuíam objetos representativos de suas divindades, como um ponto focal de adoração. Em geral, o deus maior nessas crenças idolátricas era o sol.

    No mundo hodierno, de culturas fluídas no éter da Internet, para o bem ou para o mal, esta “cultura das redes sociais” está profundamente entrelaçada com a política, e recentemente ficou claro que isso pode ser uma bênção e uma maldição para a Democracia. Vivenciamos uma armadilha cada vez mais difundida entre os brasileiros de ambos os lados da divisão política: a glorificação de figuras políticas.

    Como Sociedade, a polarização política que enfrentamos atualmente nos levou a fomentar relações parassociais com os políticos. Agimos como se os conhecêssemos como amigos casuais em vez de líderes de país. Ao fazer isso, minamos a democracia brasileira e a respeitabilidade da presidência, enquanto perpetuamos ainda mais a polarização política no país. Ser político é um trabalho e, embora possa respeitar o trabalho que esses 'funcionários do governo' estão fazendo, não devo conceder a eles um status de intocável.

    As relações parassociais, inicialmente cunhadas por Horton e Wohl em 1956 (apud Hartmann & Dibble, 2016), fazem referência a relações psicológicas unilaterais nos meios de comunicação de massa em que o público sente que conhece as personalidades da televisão como amigos, aplicando-se, neste caso, aos políticos. Apoiadores de um político específico investem tempo, energia e interesse consideráveis em seu candidato.

    O poder tem uma tendência engraçada de entrar na cabeça das pessoas e mudar radicalmente a maneira como elas interagem com as pessoas.

    O poder torna você menos empático com as situações dos outros, menos compassivo e menos disposto a manter relacionamentos interpessoais próximos, como assevera Umberto Eco (1984, p. 47): “O político argumenta com sutileza, apoiado pela autoridade, para fundamentar em bases teóricas uma práxis de formação”.

    Muitas dessas qualidades fazem um grande político, mas o poder que vem com o trabalho pode mudar seu caráter. Sua percepção da situação do cidadão fica distorcida. Se eles se importam menos com as pessoas ao seu redor, é mais provável que se envolvam em comportamentos que prejudicam mais seus cidadãos do que os beneficiam.

    Um fator que tem gerado muita tensão entre os brasileiros é a idolatria de seus candidatos aos cargos do Executivo, notadamente à Presidência da República. Idolatrar um político refere-se a colocar um indivíduo em um pedestal metafórico, muitas vezes sem reconhecer algumas falhas que ele poderia ter ou erros que cometeu no passado, pois é claro que os políticos não são 100% perfeitos.

    Na verdade, ninguém realmente é! Somos todos humanos, por isso nunca podemos estar verdadeiramente livres de falhas. Claro, existem candidatos que estão mais alinhados com nossas próprias crenças individuais, mas é importante lembrar que eles ainda têm falhas. Eles podem cometer erros e cometer erros mesmo depois de os termos eleito.

    Muitos apoiadores de políticos tendem a acreditar que quem quer que eles apoiem é o melhor, descartando quaisquer comentários negativos da mídia como falsos. No entanto, para que uma democracia tenha sucesso, é importante não ser apenas um seguidor ou apoiador de seu candidato, mas também um crítico daqueles que são eleitos para nos representar. Não acredite apenas na mídia positiva que é escrita sobre eles, lembre-se de levar em consideração quaisquer falhas que eles possam ter. Responsabilize-os por ações que possam ser questionáveis ou declarações contrárias ao que eles declararam antes.

    Apoiadores de ambos os lados do espectro político são culpados de idolatrar políticos, ou mesmo partidos políticos inteiros. Mas, como indivíduos que vivem em um país democrático precisaram estar cientes dos pontos positivos e negativos em relação às nossas autoridades eleitas, se não apenas pelos seus próprios interesses pessoais, mas pelo bem-estar dos outros.  Os políticos não são celebridades e não devem ser tratados como tal.

    Quando os líderes são colocados em um pedestal, isso permite que erros cruciais de poder escapem pelas fendas, provocando deletérias fissuras no frágil tecido social.”

    Referências:

    • DIBBLE, Jayson L., HARTMANN, Tilo. “Interação Parassocial e Relação Parasocial: Esclarecimento Conceitual e uma Avaliação Crítica de Medidas.” Human Communication Research, vol. 42, não. 1, 2016, pp. 21-44, https://doi.org/10.1111/hcre.12063

    • ECO, Umberto. Viagem na Irrealidade Cotidiana. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984."

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