SERMÃO DO BOM LADRÃO

abril 6, 2017 Cesar Luiz Pasold SERMÃO DO BOM LADRÃO 0 comentários

foto-hewwersttonHewerstton HUMENHUK

– Advogado e Professor

“Cotidianamente a população brasileira se depara com ampla divulgação de atos de corrupção em todas as esferas governamentais. Constantes são as operações deflagradas pelos grupos de operação ao crime organizado nos estados, além das já rotineiras operações da polícia federal. Não por acaso, o carro-chefe desse movimento incisivo contra os atos de corrupção é representado pela operação lava-jato, que acabou tomando proporções estratosféricas e se tornando uma espécie de ruptura dos novos tempos ao envolver parcela da sociedade civil para a sua defesa. Inclusive, recentes pesquisas junto aos eleitores colocaram a corrupção como o principal problema do Brasil, a frente até mesmo de saúde, desemprego, educação e violência.

Diante desse quadro de crise ética, institucional e política, não menos oportuno trazer a lume os ensinamentos do padre Antônio Vieira, talvez um dos mais influentes personagens do século 17, destacando-se como missionário em terras brasileiras. Ganhou notoriedade pelo combate à malversação do patrimônio público, à exploração e escravização dos índios, pela defesa de judeus e pelos seus famosos discursos de cunho político, compilado em duas centenas de sermões.

No Sermão do Bom Ladrão (1655), proferido na Igreja da Misericórdia de Lisboa, perante D. João IV e os maiores dignitários do reino, padre Vieira, mostrando profundo entendimento sobre os problemas do Brasil de outrora, quase como uma profecia, atacou e criticou aqueles que se valiam da máquina pública para enriquecer ilicitamente. Denunciou escândalos no governo e as venalidades de gestões fraudulentas.

Tais quais as peculiaridades oriundas das operações de combate aos atos de improbidade, o padre Vieira advertia aos detentores do poder quanto ao pecado da corrupção passiva/ativa e pela cumplicidade do silêncio permissivo, aquele pecado que se faz não fazendo. O momento político atual exige reflexão, resiliência e maturidade na nossa frágil democracia.

Como diria o padre Vieira, a salvação não pode entrar sem se perdoar o pecado, e o pecado não se perdoa sem se restituir o roubado.”  

(publicado originalmente no DC de 1º e 2 de abril de 2017.p.21- republicado neste Blog com expressa autorização do Autor.)

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