A RESPONSABILIDADE DA MÃE NA SOCIEDADE

maio 14, 2017 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

 

ANA PAULA DE LIMA FOTOTexto de Ana Paula Lima, Mãe e Deputada Estadual

Acordei hoje pensando em todas as responsabilidades atribuídas e impostas às mulheres que são mães, principalmente aquelas que são as únicas responsáveis por seus filhos e filhas.

Por ano, nascem 500 mil crianças no Brasil tendo somente a mãe como referência, desde o registro na certidão de nascimento ao momento em que se tornam pessoas adultas. Com certeza, no decorrer de suas vidas, essas crianças terão apenas os cuidados da mãe e ou de uma outra mulher, seja uma tia, avó, vizinha ou professora.

Independente de nossos corpos estarem preparados ou não, se foi uma opção nossa ou não, se temos condições financeiras ou não, a nós é atribuída a missão de gestar, parir e cuidar. Esta possibilidade biológica não pode ser tratada como uma obrigação social.

Durante a gestação será de nossa responsabilidade manter o acompanhamento médico mensal, mesmo que precário e de pouco acesso, nos é cobrado um pré-natal eficiente para um parto seguro. Um parto raramente humanizado e sem o direito a escolhas, a violência obstétrica é uma realidade.

As crianças crescem e junto crescem as responsabilidades e preocupações com a saúde e o bem estar. Se o desempenho na escola é satisfatório ou não, se a alimentação é saudável, se o desenvolvimento físico, mental, comportamental está dentro do que a sociedade entende como “normal”, se estão seguras e protegidas, se o ambiente familiar é saudável. Enfim, o sucesso de todos esses “se” são atribuídos a nós mulheres.

De bebês até a vida adulta, nossas preocupações e cuidados seguirão os mesmos. Infelizmente, não há a compreensão de que a responsabilidade pelos cuidados tem que ser de toda a sociedade, com a efetivação de políticas públicas eficientes, de qualidade e com acesso universal. Por omissão do Estado e, também, pelo abandono paterno, às mulheres ainda recai um conjunto de culpas que a elas não cabem.

Esse fato alimenta um ciclo de exclusão de mulheres e crianças das decisões e espaços políticos. Com toda a sobrecarga sobre nossos ombros, se quisermos participar dos espaços de poder e decisão, seja nas grandes empresas privadas, no mercado de trabalho ou na política, e também escolhermos ser mães, sabemos o enorme esforço que isso significa.

Somos vistas como sujeitos de segunda ordem, sem representatividade, sem autonomia, sem voz, cujo corpo todos se apropriam, violentam e assediam. Queremos mais direitos.

Por isso, precisamos ocupar todos os espaços possíveis para que possamos ser ouvidas e atuar de forma decisiva na exigência de políticas públicas e ampliação de direitos para as mulheres. Como mães, não há presente maior do que o reconhecimento, o respeito, a igualdade de direitos e uma vida sem violência.

É preciso reconhecer a importante função social e política da maternidade para a manutenção da vida e da própria sociedade.

Administramos vida pessoal, profissional e familiar, cuidamos, produzimos, transformamos, somos fundamentais. Sem nós, a sociedade não se sustenta.

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