DIA DAS MÃES

maio 14, 2017 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

ELIZETE LANZONI ALVES FOTOTexto de Elizete Lanzoni Alves, Mãe e Professora Doutora na Área Jurídica.

A palavra “mãe”, curta, breve e objetiva, guarda um enorme significado.

O papel de mãe interpretado como cuidadora do lar, responsável pela educação dos filhos – posição machista e patriarcal historicamente imposta -, simbologia da fertilidade, da geração, do amor, proteção, carinho, e assistência, nada tem de frágil e na atualidade tem uma nova roupagem. A figura da “mãe”, hoje, tem outros contornos e dimensão ampliada.

As mães são pessoas fortes e sua aparente fragilidade está vinculada a uma imagem tradicional completamente dissociada da realidade vivida por uma sociedade em transformação.

A maternidade é uma experiência que admite escolha do compartilhamento da paternidade –  uma vez que a tecnologia abre tal possibilidade – e novos formatos de família.

A culpa, sentimento que recai sobre as mães que conciliam a multiplicidade de atividades entre as profissionais, pessoais e maternais, não atingia a mãe de séculos passados que entregavam seus filhos aos cuidados das “amas” e sequer amamentavam seus filhos delegando essa tarefa às “mães de leite”. Tal transferência de cuidados não se traduzia em indiferença ou ausência de amor, mas, costume, falta de conhecimento e informação sobre a importância do estreitamento da relação pela amamentação, talvez a necessidade de dedicação a outras atividades do lar ou até mesmo pela condição econômica em demonstração de status. Era a mãe da época!

Fato é que a mãe de hoje é diferente. O amor incondicional que identifica a relação das mães com os filhos não resulta somente do ato de gerar e dar a vida. É uma híbrida construção sociocultural delineada pelo direito de escolha, pelo amor, pela emancipação e ruptura com a ideia de total renúncia e abdicação, que não representa a multifacetada mãe contemporânea.

Embora exista um dia para que seja lembrada de uma forma especial – sem remontar à sua origem histórica ou religiosa, – o “Dia das Mães” há muito tempo perdeu seu verdadeiro sentido do culto ao amor materno e encontrou terreno fértil na sociedade de consumo estabelecendo um único e rentável dia dedicado à elas.

A mídia, que bombardeia os filhos com a carga da obrigação em oferecer um presente comercial, comprado e preferencialmente caro para demonstrar o valor de seu afeto, acaba por transformar a mãe, figura singular da vida dos filhos, com história e trajetória própria, características e peculiaridades pessoais e exclusivas, em uma mãe com rótulo padrão das marcas veiculadas que, em realidade, traduzem seus produtos em emoções para induzir os filhos a demonstrarem seu amor e afeto por intermédio do bolso e não do sentimento.

Alguns podem até justificar – sobretudo em razão da ausência que afeta principalmente as mães dos filhos adultos –  que o presente é demonstração de amor esquecendo-se que a atenção, as palavras, a presença e os gestos de afeto é o que, realmente a mãe espera.

Então como mãe “contemporânea” já há algum tempo tomei a liberdade de romper o vínculo com essa única e simbólica data liberando meus filhos de uma obrigação imposta por um costume econômico.

Ser mãe foi uma opção consciente e responsável e comemoro todos os dias e das mais diversas formas e, em certo ponto agradeço à tecnologia que me aproxima por via eletrônica, quando o trabalho não permite que eu esteja pertinho em alguns momentos do dia.

Não importa se os filhos são grandes ou pequenos, estar com eles, acompanhar seus passos, compartilhar momentos, educar para a vida em cumplicidade familiar, vê-los alçar o voo da emancipação com o sentimento do dever cumprido, ter a certeza de que o amor é o nosso elo mais profundo é que me faz comemorar, não um “Dia das Mães” mas, a minha escolha de ser mãe.

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