EÇA DE QUEIRÓS, MAGISTRAL E ÁCIDO EM: O PRIMO BASÍLIO

julho 27, 2018 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO LEUDODestacamos hoje mais uma contribuição preciosa de nosso Colaborador Permanente Afonso Leudo de Oliveira CARVALHO (Licenciado em Matemática pela UNIASSELVI, Especialista em Metodologias do Ensino de Matemática, Autor do estimulante Artigo Cientifico na Revista Percursos nº 10  da UDESC, com o título: “Ritmo, Poesia e Matemática”).

 Desta vez, a estimulante aula do Professor Afonso  Leudo é sobre Eça de Queiroz e seus personagens em “O PRIMO BASÍLIO”.

Merece leitura atenta e reflexiva!

  O Primo Basílio é uma das obras mais emblemáticas do escritor realista português Eça de Queirós. Publicada em 1878, o romance é um retrato fiel da sociedade portuguesa da época com ênfase para a hipocrisia da classe burguesa. Suas críticas sociais à burguesia e aos atos humanos são expostas, por exemplo, na análise psicológica de seus personagens, dos estereótipos e de seus comportamentos.

 A obra está dividida em 16 capítulos. Temas como o adultério, a hipocrisia, o caráter, a mediocridade e os valores morais são as principais características do romance realista-naturalista português. Por meio de diversas descrições, ele analisa o ambiente e seus personagens desde suas angústias, prazeres, medos, desejos, etc.

Eça pertence à chamada geração de 70, constituída pelos escritores que combateram o romantismo e lutaram pela instauração das ideias realistas em Portugal, a partir de 1870, propondo uma literatura de crítica social e de denúncia do atraso lusitano.

É quase inevitável a comparação de Eça de Queirós com o brasileiro Machado de Assis. Contemporâneos, ambos são considerados os maiores ficcionistas da língua portuguesa. Eça atravessou três fases em sua carreira: a de influências românticas, na qual ainda busca a definição de um estilo; a realista-naturalista, na qual segue os princípios da escola em seus romances mais famosos: O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio e Os Maias, e, por fim, a que denominou de realista fantasista, na qual se permite certos voos de imaginação.

Escrito em um momento de consolidação da escola realista-naturalista em Portugal, O primo Basílio se apresenta como uma verdadeira súmula de alguns dos recursos mais característicos do estilo: a crítica social, a exploração da sexualidade, a tendência à construção de personagens marcadas pela baixeza de caráter, a narrativa irônica, as referências pouco lisonjeiras à moral, aos costumes e à religião. A protagonista Luísa é uma vítima do excesso de fantasias românticas, que acaba por distanciá-la da realidade. A consequência mais grave dessa alienação possui componente moral: Luísa se torna incapaz de discernir valores morais, confundindo amor com desejo, paixão com vulgaridade.

A obra evita sistematicamente o caminho fácil da idealização, expondo ácidas críticas à burguesia provinciana de Lisboa. Essas críticas são encarnadas nas personagens, que se tornam, desse modo, representações estereotipadas de comportamentos que a narrativa expõe ao ridículo. Em D. Felicidade, Eça descarrega sua crítica ao que chama de “beatice parva”: mulheres que manifestam uma religiosidade que estão longe de seguir ou exemplificar. A visão ácida é amplificada por uma nota naturalista: D. Felicidade sofre de gases.

A mediocridade, o conservadorismo e o amor às aparências do Conselheiro Acácio deram origem a um novo adjetivo na língua portuguesa: acaciano. O infeliz Jorge é ridicularizado sem piedade pelo narrador: a frieza que sempre manifestou é substituída, no final, pela pieguice do sofrimento provocado pela morte da esposa. A suscetibilidade de Luísa chega quase a destituí-la de humanidade, reduzindo-a à condição de fantoche manuseado pelas circunstâncias.  Juliana, cuja personalidade é sacudida por frustrações de caráter sexual, físico e social, canaliza seu ódio não para um projeto social transformador, mas para a compensação de seus recalques pessoais. Sebastião, exemplo de bom caráter, tem suas virtudes colocadas em destaque, por contraste com a lama generalizada.  O determinismo mesológico aparece na influência que o meio ambiente decadente e apático exerce sobre as personagens, tornando-as indolentes e favorecendo o domínio do apetite sexual. O final feliz romântico é substituído pelo triunfo da canalhice, na trajetória de Basílio, o vilão imune a qualquer punição. Por fim, a abordagem das relações entre patroa e empregada evita a glamourização e evidencia a desconsideração da primeira e a falta de escrúpulos da segunda.

Do Realismo, a romance apresenta a crítica ao atraso e ao provincianismo português. Eça mostra no romance as qualidades de grande estilista que o acompanhariam até o fim da carreira: a linguagem irônica destila acidez na maneira de focalizar o atraso português, que ele demoraria a perdoar. A obra retrata a história do casal Jorge e Luísa, pertencentes à burguesia portuguesa do século XIX. A trama passa-se em Lisboa, na capital portuguesa.

Jorge, marido de Luísa, vai viajar a trabalho e ela recebe a visita de seu primo Basílio. Nesse ínterim, eles que já tiveram uma relação anterior, acabam por consumar o desejo latente. Vale notar que a relação de Jorge e Luísa estava mais baseada no interesse, uma vez que, de fato, eles não viviam uma vida feliz juntos. Jorge era um excelente marido que sempre estava preocupado em agradar sua bela esposa. Lhe dava diversos presentes e sempre estava disposto a lhe oferecer conforto. Luísa era uma ávida leitora de romances e com a chegada de seu amor juvenil, começa a nutrir e vislumbrar uma história de amor entre eles.

Juliana, a governante da casa de Luísa, nota o amor envolvido entre eles e começa a fazer chantagem com sua patroa. Isso porque ela encontra algumas cartas que revelam a paixão do jovem casal. Com receio da sociedade, os amantes resolvem se encontrar esporadicamente num lugar que chamam de “paraíso”. Ainda que fosse um quarto muito simples, localizado nos subúrbios de Lisboa, foi ali que diversas cenas da paixão entre eles foram consumadas. No entanto, com o passar do tempo, Luísa começa a sentir que a paixão de Basílio começa a diminuir. Mesmo assim, tenta convencer seu primo a ficar com ela. Porém, ele resolve voltar para Paris. Com o retorno de seu marido, Luísa começa a sofrer com as chantagens de sua criada Juliana. Ela se apodera das cartas entre os amantes e pede uma alta quantia de dinheiro para que seu segredo não seja revelado. Assim, Juliana passa a ter uma vida mais abastada com presentes que são oferecidos por Luísa. Além disso, pela troca de papéis, posto que Luísa passa a fazer algumas tarefas domésticas. Tudo isso acontecia sempre às escondidas de seu marido Jorge. Com o tempo, Jorge acaba por notar uma diferença no trabalho realizado por Juliana e resolve mandar a criada embora. Mas Juliana continua a chantagear Luísa com seu segredo.”

 

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