JOSÉ SARAMAGO, O MAGO DO DEUS DOS SEM DEUSES

outubro 26, 2018 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO LEUDO

O nosso Colaborador Permanente Afonso Leudo de Oliveira CARVALHO (Licenciado em Matemática pela UNIASSELVI, Especialista em Metodologias do Ensino de Matemática, Autor do Artigo Cientifico na Revista Percursos nº 10  da UDESC, com o título: “Ritmo, Poesia e Matemática”) está nos brindando com a sua contribuição mensal a este Blog.

     Segue  o interessante , criativo e  muito estimulante texto sobre JOSÉ SARAMAGO , que o Professor Leudo identifica como “O MAGO DO DEUS DOS SEM DEUSES”.

      Sem dúvida, merece leitura atenta e reflexões !!!

“Comentar sobre a obra de José Saramago é passear pela terra do Deus dos sem Deuses. A arte da escrita, irônica, mas, fiel a um extremo bom gosto e, acidez nada sutil, lembra-nos fados escritos em prosa. Há uma sagacidade em não agredir o crente que venha a ler suas interpretações em comparação aos textos sacros, que são manipulados com devido respeito, mas, dando ao leitor uma agradável leveza por nos tornar próximos daquilo que, quando feito apoiado no critério do crente fervoroso, nos distancia da possibilidade de estar diante de fatos tão corriqueiros que as religiões nos negam a beleza e simplicidade dos vários temas relatados.

Evangelho Segundo Jesus Cristo é reconhecido como uma das grandes obras da literatura universal. Foi escrito pelo renomado autor português e publicado pela primeira vez em 1991. Entre as passagens de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” está o envolvimento sexual de Jesus com Maria Madalena. A edição da Companhia das Letras é belíssima e destacou ainda mais a sensibilidade dessa obra!

José Saramago foi um escritor, poeta, contista, dramaturgo e jornalista português. É considerado a maior expressão da literatura portuguesa contemporânea. Foi o primeiro escritor em língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, na aldeia de Azinhaga. A aldeia é localizada na província portuguesa do Ribatejo. O escritor morreu em 18 de junho de 2010, em Lazaronte, na Espanha, na presença da esposa, a jornalista espanhola Pilar Del Rio, e da família.

José de Souza Saramago morou a maior parte da vida em Lisboa, para onde a família migrou quando ele tinha dois anos de idade. Apesar do reconhecimento como escritor, frequentou somente cursos técnicos. Por cinco anos esteve na escola para aprender o ofício de serralheiro mecânico. O nome Saramago só foi descoberto quando passou a frequentar a escola. Foi adicionado de forma espontânea pelo funcionário do cartório em alusão ao apelido da família. Saramago é o nome de uma planta que cresce na região onde o escritor nasceu.

Foi desenhista, funcionário público dos setores de saúde e segurança social, jornalista, editor e tradutor. Também foi diretor literário e de produção de uma revista literária, a Seara Nova. No período de 1972 a 1973, comentarista político no jornal Diário de Lisboa, no qual também coordenou um suplemento cultural. Saramago também integrou a Associação Portuguesa de Escritores e foi diretor adjunto do Diário de Notícias.

Em 1976, tomou a decisão de viver exclusivamente da literatura. Começou como tradutor antes de chegar à fase autoral. Recebeu o Prêmio Camões em 1995. A crítica afiada e a descrição minuciosa estão entre as características da obra de Saramago. A pontuação não é convencional. Os pontos finais aparecem ao fim dos parágrafos, que podem ser longos. Os travessões foram excluídos e a interpretação da fala dos personagens é, muitas vezes, confundida com a autorreflexão. Mescla personagens reais com fictícios.

Entre os exemplos estão Memorial do Convento em 1982 e a Viagem do Elefante em 2008. Saramago era comunista declarado e o pensamento é evidenciado em sua obra. Também fazia duras e ácidas críticas à igreja católica e seus dogmas. O romance Caim, lançado em 2009, também foi considerado ofensivo à fé católica. Na obra, Caim questiona os critérios de Deus para suas escolhas. Deus é apontado como um ser vaidoso, vingativo e contraditório.

A obra Ensaio Sobre a Cegueira, lançada em 1995 aponta o comportamento de uma sociedade diante de uma epidemia sem explicação ou cura em que a pessoa atingida perdia a visão. Diferente da escuridão, a cegueira era branca e apavorante. Aos poucos, o escritor vai revelando o caráter das personagens e suas instituições. Foi reproduzido no cinema em 2008, e venceu o festival de Cannes daquele ano. O filme foi dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles e contou com a participação dos atores Julianne Moore e Mark Ruffalo.

Em  As Intermitências da Morte, mais uma vez um dogma religioso é questionado, a morte. No romance, lançado em 2005, Saramago imagina uma greve decretada pela própria morte, cansada das contradições e da ingratidão da humanidade. Enquanto a morte questiona seu papel, a humanidade vive um colapso religioso, social, político e estrutural. Anotava sempre que lhe ocorria uma ideia para começar um romance. Podia ser de madrugada ou viajando de trem. Expressava suas dúvidas sobre a qualidade do que estava escrevendo ou manifestava sua desconfiança sobre o interesse de uma trama quando ele mesmo já estava enfastiado de urdi-la.

 José Saramago costumava anotar tudo, inclusive quando, de repente, decidia mudar o título de um romance até que a opinião de sua mulher, o fazia desistir e voltar a seu plano original.

José Saramago está muito presente. Em todo mundo aumentaram os livros sobre ele, as representações teatrais, as traduções, as cátedras e as mostras e até se publicou, postumamente, Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas.

“Chama-nos a atenção”, explicou Pilar Del Rio, viúva do escritor e diretora da Fundação Saramago, “que, sem nossa iniciativa, muitas televisões recordam esta data”.

Na Itália foi apresentada uma ópera baseada em As Intermitências da Morte, e em São Paulo – no acervo do Museu da Língua Portuguesa, que foi totalmente consumido pelo fogo – tinha a maior mostra sobre o autor. A Fundação elaborou o documentário Um Humanista por Acaso Escritor, do brasileiro Leandro Lopes.

O Fim da Paciência, também foi cogitada, mas a obra nunca chegou a ser apresentada nos palcos.

Suas ideias também não morreram.

Em 1998, o primeiro prêmio Nobel português propôs em seu brinde no jantar da Academia sueca criar a Declaração Universal dos Deveres Humanos. “Não parece que os Governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que, moralmente, quando não por força da lei, estavam obrigados. As injustiças multiplicam-se no mundo, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra”.

Os traços comunistas, a exaltação à liberdade, à luta e à fraternidade também estão presentes na poesia de Saramago.

Após um hiato de 19 anos na literatura, o autor publicou, em 1966, Os Poemas Possíveis.”

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