O VALOR E A NECESSIDADE DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA PARA CRIANÇAS E JOVENS

janeiro 23, 2019 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO GIANCARLO MOSERO nosso Colaborador Permanente Professor Dr. Giancarlo MOSER, produziu oportuno texto que é publicado originalmente a seguir, no qual aborda tema relevante e atual, discorrendo sobre a Educação Financeira para Crianças e Jovens, enfatizando seu valor e a sua necessidade.

Eis o texto : 

“Em um mundo onde o dinheiro assumiu uma parte substancial da vida das pessoas, pois se lastreia nele os valores do indivíduo e as relações de trocas e consumo, temos uma lacuna considerável entre pessoas que sabem lidar com suas finanças de maneira adequada e um número muito maior de indivíduos que são sistematicamente parasitados e enganados por taxas de juros bancárias, em financiamentos ou empréstimos pessoais, e que não conseguem, infelizmente, aquilatar com propriedade as condições que estão sendo colocadas em jogo. E, acabam por comprometer suas rendas com pagamentos de taxas, juros e diversos compromissos que provocarão uma espiral financeira que colocará a saúde doméstica muitas vezes na UTI, quando não acaba por matar seu hospedeiro.

Hodiernamente, o número de decisões financeiras que um indivíduo deve tomar é extremamente variada, e a complexidade dos produtos financeiros é imensa, mesmo para o cidadão comum.

Entendemos que para auxiliar essas necessidades, a alfabetização financeira pode levar o indivíduo a um melhor comportamento no trato das finanças pessoais. Há uma variedade de estudos que indicam que indivíduos com níveis mais altos de alfabetização financeira tomam melhores decisões de finanças pessoais.

Aqueles que são analfabetos financeiros são menos propensos a ter uma conta corrente, um fundo de emergência (poupança, nesse caso), um plano de aposentadoria ou a possuir ações. Eles também são mais propensos a usar empréstimos consignados, pagar apenas a quantia mínima devida em seus cartões de crédito, ter créditos de alto custo e ter níveis mais altos de inadimplência e endividamento.

Quando se trata de ensinar finanças de uma maneira que as crianças entendam, é importante que a matemática regular seja incluída nas lições. Conhecer as habilidades matemáticas básicas ajudará muito as crianças com o gerenciamento de dinheiro no futuro.

Como Sociedade, precisamos de mais programas de treinamento que aumentem o número de cidadãos financeiramente alfabetizados e capazes de tomar decisões financeiras melhores e mais sábias em suas próprias vidas. Tais programas não são apenas bons para o indivíduo, mas também ajudam a Sociedade.

A educação financeira, principalmente em finanças pessoais, deve começar cedo em casa e na escola. Idealmente, os conceitos de finanças pessoais devem ser ensinados no Ensino Fundamental e Médio e devem continuar no Ensino Superior.

Na matemática, começa-se com os números simples, passa-se para a adição e a subtração e depois para a divisão e a multiplicação. Devem-se aprender letras antes de poder ler.

A educação financeira pessoal deve ser um processo cumulativo, com tópicos apropriados à idade, ensinados em cada ano letivo. A realidade é que a maioria das escolas públicas, e particulares também, não proporciona nenhuma educação substantiva para finanças pessoais até o ensino médio.

Os fundamentos do planejamento financeiro pessoal – ensinar aos jovens sobre o dinheiro, seu valor, como economizar, investir e gastar, e como não desperdiçá-lo – devem ser ensinados na escola desde cedo, pois um estudo da Universidade de Cambridge descobriu que os hábitos financeiros nas crianças são formados quando eles completam sete anos de idade[*]. Independentemente de quando a educação formal de um jovem termina, eles serão, inevitavelmente, empurrados para situações em que precisam saber como gerenciar as despesas diárias.

A alfabetização financeira, assim como a leitura, a escrita e a aritmética constrói o capital humano, capacitando indivíduos com a possibilidade de criar riqueza pessoal para comprar uma casa, ir para a faculdade, ter uma poupança e/ou um fundo de aposentadoria. Um indivíduo sem instrução, armado com um cartão de crédito, um empréstimo estudantil e acesso a crédito pessoal, pode ser quase tão perigoso para si e para sua comunidade quanto uma pessoa sem treinamento ao volante de um carro.

Alguns temas que podem ser ensinados desde cedo nas escolas, respeitando-se, é claro, a faixa etária e os níveis de compreensão dos alunos:

  • A importância de distinguir entre desejos e necessidades e priorizar necessidades

  • Como os gastos descuidados com os desejos podem levar a problemas financeiros posteriores

  • O que é um orçamento e como planejar um orçamento

  • As diferentes formas de pagamento de bens e serviços

  • A importância de poupar para emergências e as diferentes maneiras de economizar

  • Por que as pessoas pedem dinheiro emprestado

  • A diferença entre empréstimos necessários e supérfluos

  • O que são ‘jogos de azar’ e os perigos do jogo

  • Como a publicidade influencia os consumidores

Um erro que muitas vezes é cometido é tentar ensinar às crianças tudo o que há para saber sobre as finanças de uma só vez.

A educação financeira abrange muitos tópicos distintos  e, portanto, é importante introduzir esses tópicos para as crianças lentamente, para que eles entendam cada um deles antes de prosseguir.

Enfim, colocar toda a informação financeira de que precisarão em uma aula vai sobrecarregar as crianças e muitas vezes elas não se lembrarão muito do que foi discutido!

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[*] Estudo disponível em:

https://mascdn.azureedge.net/cms/the-money-advice-service-habit-formation-and-learning-in-young-children-may2013.pdf

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