MONTEIRO LOBATO E AS POLEMICAS ALÉM DE SEUS UNIVERSOS PARALELOS

fevereiro 17, 2019 Cesar Luiz Pasold Informações 1 comentário

FOTO LEUDOO nosso Colaborador Permanente Afonso Leudo de Oliveira CARVALHO (Licenciado em Matemática pela UNIASSELVI, Especialista em Metodologias do Ensino de Matemática, Autor do Artigo Cientifico na Revista Percursos nº 10 da UDESC, com o título: “Ritmo, Poesia e Matemática”) desta vez, muito oportunamente, nos brinda com precioso artigo sobre o genial Monteiro Lobato. Leia a seguir:

“O Ano de 2019 tem como destaque na literatura brasileira uma homenagem mais que merecida: O ano de Monteiro Lobato.

Sendo assim, não poderíamos nos furtar de homenageá-lo neste blog, com uma repaginada na obra desse importante baluarte da nossa cultura literária. 

 Monteiro Lobato foi um escritor e editor brasileiro. O Sítio do Pica-pau Amarelo é sua obra de maior destaque na literatura infantil. Criou a Editora Monteiro Lobato e mais tarde a Companhia Editora Nacional.

Foi um dos primeiros autores de literatura infantil de nosso país e de toda América Latina. Metade de suas obras é formada de literatura infantil.

Destaca-se pelo caráter nacionalista e social. O universo retratado em suas obras são os vilarejos decadentes e a população do Vale do Paraíba, quando da crise do café. Situa-se entre os autores do Pré-Modernismo, período que precedeu a Semana de Arte Moderna – da qual ele foi ferrenho crítico com severa hostilidade – Nasceu em Taubaté, São Paulo, no dia 18 de abril de 1882. Era filho de José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Monteiro Lobato. Alfabetizado pela mãe, logo despertou o gosto pela leitura, lendo todos os livros infantis da biblioteca de seu avô o Visconde de Tremembé.

Desde menino já mostrava seu temperamento irrequieto, escandalizou a Sociedade quando se recusou fazer a primeira comunhão. Fez o curso secundário em Taubaté. Com 13 anos foi estudar em São Paulo, no Instituto de Ciências e Letras,  preparando -se para a Faculdade de Direito.

Registrado com o nome de José Renato Monteiro Lobato, resolve mudar de nome, pois queria usar uma bengala, que era de seu pai, que havia falecido no dia 13 de junho de 1898. A bengala tinha as iniciais J.B.M.L gravadas no topo do castão, então mudou de nome, passou a se chamar José Bento, assim as suas iniciais ficavam iguais às do pai.

Ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco na capital paulista, formando-se em 1904. Na festa de formatura fez um discurso tão agressivo que vários professores, padres e bispos se retiraram da sala. Nesse mesmo ano voltou para Taubaté. Prestou concurso para a Promotoria Pública, assumindo o cargo na cidade de Areias, no Vale do Paraíba, no ano de 1907. Monteiro Lobato casou-se com Maria Pureza da Natividade, em 28 de março de 1908. Com ela teve quatro filhos, Marta (1909), Edgar (1910), Guilherme (1912) e Rute (1916).

Paralelamente ao cargo de Promotor, escrevia para vários jornais e revistas, fazia desenhos e caricaturas. Ficou em Areias até 1911, quando se muda para Taubaté, para a fazenda Buquira, herança oriunda de seu avô.

Alguém com tamanha cultura, não poderia passar pela vida sem que provocasse polemicas. No dia 12 de novembro de 1912, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma carta sua enviada à redação, intitulada: “Velha Praga”.

Nela destaca a ignorância do caboclo, criticando as queimadas e que a miséria tornava incapaz o desenvolvimento da agricultura na região. A carta foi publicada e causou grande polêmica. Mais tarde, publica novo artigo Urupês, no qual aparece pela primeira vez o personagem Jeca Tatu.

 Em 1917 vende a fazenda e vai morar em Caçapava: ali funda a revista Paraíba. Nos 12 números publicados, teve como colaboradores Coelho Neto, Olavo Bilac, Cassiano Ricardo entre outras importantes figuras da literatura.

Muda-se para São Paulo, onde colabora para a Revista do Brasil. No dia 20 de dezembro de 1917, publicou no jornal O Estado de São Paulo, um artigo intitulado “Paranoia ou Mistificação?”, no qual  critica a exposição de Anita Malfatti, pintora paulista recém chegada da Europa. Estava criada uma polêmica, que acabou se transformando em estopim do Movimento Modernista. Entusiasmado, compra a Revista do Brasil e torna-se editor.

Publica em 1918, seu primeiro livro: Urupês, que se esgota em sucessivas tiragens.

Transforma a Revista em centro de cultura e a editora numa rede de distribuição com mais de mil representantes.

Monteiro Lobato, em sociedade com Octalles Marcondes Ferreira, funda a Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato. Com o racionamento de energia, a editora vai à falência. Vendem tudo e fundam a Companhia Editora Nacional.

 Lobato muda-se para o Rio de Janeiro e começa a publicar livros para crianças. Em 1921 , Narizinho Arrebitado, livro de leitura para as escolas. A obra fez grande sucesso, o que levou o autor a prolongar as aventuras de seu personagem em outros livros girando todos ao redor do Sítio do Pica-pau Amarelo.

Como escritor literário, Lobato destacou-se no gênero conto.

O universo retratado, que se tornou em geral a sua marca registrada, tem destaque para a crise rural e o êxodo das populações ribeirinhas do vale do Paraíba que partem em buscas de cidades maiores e que ainda resiste a crise e podem lhes oferecer mão de obra, mesmo sendo explorados pelos Barões.

Em seu livro Urupês, que foi sua estreia na literatura, Lobato criou a figura do “Jeca Tatu”, símbolo do caipira brasileiro.

As estórias do Sítio do Pica-pau Amarelo, e seus habitantes, Emília, Dona Benta, Pedrinho, Tia Anastácia, Narizinho, Rabicó e tantos outros, misturam a realidade e a fantasia usando uma linguagem coloquial e acessível, obra que nos coloca diante de um Universo paralelo.

O livro Caçadas de Pedrinho, publicado em 1933, que faz parte do Programa Nacional Biblioteca na Escola, do Ministério da Educação, está sendo questionado pelo movimento negro, por que conteria elementos racistas. O livro relata a caçada a uma onça que está rondando o sítio, e é feita a seguinte citação: “[…]É guerra e das boas, não vai escapar ninguém, nem tia Anastácia, que tem cara preta[…]”.

É no livro Urupês, que Monteiro Lobato retrata a imagem do caipira brasileiro, onde destaca a pobreza e a ignorância do caboclo, que o tornava incapaz de auxiliar na agricultura. O Jeca Tatu é um flagrante do homem e da paisagem do interior.  Tornou-se símbolo nacionalista utilizado por Rui Barbosa em sua campanha presidencial de 1918. Na quarta edição do livro, Lobato pede desculpas ao homem do interior.

Lobato faleceu em São Paulo, no dia 4 de julho de 1948, de problemas cardíacos. ”

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  1. Ano do Monteiro Lobato | Luciano Boico

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