RUY BARBOSA E A ESPIRITUALIDADE

fevereiro 22, 2019 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

Foto de Roberto VictorNosso Colaborador Permanente o Jurista Roberto Victor Pereira RIBEIRO (Professor do Centro Universitário Farias Brito e Chefe do Departamento de Direito Processual do Curso de Direito dessa instituição.. Autor de diversos artigos publicados em livros, revistas e jornais nacionais. Presidente eleito da Academia Brasileira de Direito – ABD.  Autor entre outros, dos livros “O Julgamento de Jesus Cristo sob a Luz do Direito, Ed. Pillares 2010; “O Julgamento de Sócrates sob a luz do Direito”, Ed. Pillares, 2012), produziu uma crônica sobre o extraordinário Jurista  Ruy Barbosa e a Espiritualidade. O texto merece a leitura atenta pela abordagem especial:

 “Poucos tem ciência, mas o grande jurisconsulto brasileiro Ruy Barbosa era tido como muito religioso e tal característica pode ser contemplada em algumas de suas obras.

Muitos achavam até que o grande “Águia de Haia” era ateu. Entretanto alguns testemunhos seus retiram qualquer mácula duvidosa em relação a sua crença na divindade. Depreendemos também de seus textos que a religião a qual professava era o Catolicismo.

Passando por alguns problemas em sua vida íntima, Ruy Barbosa atesta que “Deus, porém, estendeu o seu braço para mim e crestou a flor do meu orgulho. Então […] achei os livros mudos, a razão muda, e a Filosofia estéril. Chorei e abracei-me à cruz. Foi a fé que me salvou”.

Um biógrafo de Ruy asseverou que “o problema religioso está sempre presente em suas preocupações e em seus trabalhos intelectuais. Não há uma só declaração de ateísmo em todos os escritos de Ruy Barbosa”.

Em certa ocasião, deparando-se com graves movimentos políticos nacionais, Ruy escreve: “Não sei se incorro em ridículo, trazendo por estas alturas o nome de Deus. Se incorrer, paciência. Nasci na crença de que o mundo não  é só matéria e movimento”.

E ressoa: “As formas políticas são vãs, sem o homem que as anima. Ora, eu não conheço nada capaz de produzir na criatura humana em geral esse estado interior, senão o influxo religioso”.

Ruy combatia a incredulidade a ponto de dizer na tribuna do Senado Federal que “os descrentes em geral, são fracos e pessimistas, resignados ou rebeldes, agitados ou agitadores. Mas ainda não basta crer: é preciso crer definida e ativamente em Deus, isto é, confessá-lo com firmeza, e praticá-lo com perseverança”.

Em discursos para os recém-formandos em Direito, Ruy proclamou: “não sei conceber o homem sem Deus, e ainda menos acreditar na possibilidade, atual ou vindoira de uma nação atéia […] Deus é a necessidade das necessidades, Deus é a chave inevitável do Universo. Deus é a incógnita dos grandes problemas insolúveis, Deus é a harmonia entre as desarmonias da criação”.

E roga para os seus concidadãos: “Restituí, Senhor [às plagas brasileiras], o senso das necessidades nacionais; dai ao Governo brasileiro a coragem heroica da lei, incuti ao povo brasileiro o sentimento indômito do Direito”.

Sobre Direito e Religião, Ruy é claro: “sem a disciplina do céu a disciplina da terra não se manterá […] Ora, liberdade e Religião são sócias, não inimigas. Não há Religião sem liberdade. A inteligência, o Direito, a Religião, são os três poderes legítimos do mundo”.

Ruy, além de espiritualista evoluído, foi também um verdadeiro praticante do ofício religioso, isto é, exerceu em vida a sua religiosidade. Consta também em sua biografia que o mesmo “fazia orações genuflexamente voltado para o oratório todas as manhãs e as noites”.

Em carta ao seu compadre José Eustáquio Ferreira Jacobina, Ruy comenta: “No meio de tantos desconfortos e iniquidade tenho-me entregado estes dias exclusivamente à leitura do Evangelho, a eterna consolação dos malferidos nos grandes naufrágios”.

Ruy tinha verdadeiro apreço por um livro especialmente ofertado por seu filho, a obra em comento é a famigerada escritura “A Imitação de Cristo”, leitura obrigatória em todos os seminários e colégios católicos.

Faz-se mister comentar que este exemplar, após a morte de Ruy, foi doado pela Fundação Casa de Ruy Barbosa ao Papa Paulo VI.

Este era Ruy Barbosa, além de grande político, jurista, escritor e  fiel praticante do catolicismo.”

 

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Este Blog sucede ao www.advocaciapasold.com.br que foi visitado 109983.

Esta página já foi visitada 481015 vezes.

Site disponibilizado pela primeira vez em 18 de novembro de 2015.
Última atualização em 22 de Maio de 2019.
Responsável Técnico: Leonardo Latrônico Prates
Responsável Geral: Prof. Dr. Cesar Luiz Pasold