A INTELIGÊNCIA DAS MULHERES

maio 5, 2019 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

foto Elza GaldinoA Colaboradora Permanente Elza GALDINO (Advogada inscrita na OAB/SC sob nº 20.636; Membro Efetivo do IASC; Especializada em Direito Público pela UNISUL ; foi Diretora Executiva da OAB/SC, na qual atualmente exerce a Assessoria Especial da Presidência) a nosso convite,  produziu texto didático, informativo e muito estimulador de reflexões,   sobre a Inteligência da  Mulher. Merece leitura atenta. Leia, a seguir, seu inteiro teor:

“Época houve em que se era ou não se era inteligente, e o rótulo era tatuado no indivíduo para sempre.

Entretanto, o conceito de inteligência, ele mesmo, nunca teve exatidão ou unanimidade entre os seus pesquisadores. Mesmo a ciência do cérebro mudou sensivelmente, e o surgimento de novas teorias vem acompanhada da precisão de exames de imagens e outras muitas tecnologias.

A obsessão por medir o quanto cada um de nós é inteligente e, consequentemente, nosso lugar na Sociedade, pode ter gerado prejuízos sérios.

Em 1905 o psicólogo francês Alfred Binet, em parceria com o colega Théodore Simon, criou um teste para avaliar crianças com atraso mental a partir da medição de habilidades como compreensão, razão e julgamento, o qual serviu de base para o teste de inteligência mais comum hoje em dia, o Stanford-Binet.[1]

Noventa anos depois surge nos EUA uma obra de impacto – Inteligência Emocional – que foi publicada no Brasil em 1997 e da qual se comentou: “Das fronteiras da psicologia e da neurociência, Daniel Goleman trouxe o conceito de ‘duas mentes’ – a racional e a emocional – e explicou como, juntas, elas moldam nosso destino. Segundo Goleman, a consciência das emoções é fator essencial para o desenvolvimento da inteligência do indivíduo.”[2]

Lembro também o neurocientista português António Damásio, radicado nos EUA, que em sua obra O erro de Descartes, de 1994, –  “bestseller” mundial – questionou a crença de que a racionalidade absoluta é a melhor maneira de tomar as resoluções corretas na vida.

Mas vamos acordar o que é inteligência. Para isto, não vou atrás de obras científicas, e sim do meu dicionarista preferido: “faculdade de conhecer, compreender e aprender; conjunto de funções psíquicas e psicofisiológicas que contribuem para o conhecimento, para a compreensão da natureza das coisas e do significado dos fatos; capacidade de apreender e organizar os dados de uma situação, em circunstâncias para as quais de nada servem o instinto, a aprendizagem e o hábito; capacidade de resolver problemas e empenhar-se em processo de pensamento abstrato.”[3]

Howard Gardner desenvolveu a teoria das inteligências múltiplas em 1983, descrevendo sete tipos e acrescentando, algum tempo depois, mais dois.[4]

E, segundo a sabedoria popular, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, ele vai gastar toda a sua vida acreditando que é estúpido.

Dividir homens e mulheres pelo cérebro já foi feito… e desfeito. Atribuir às mulheres mais neurônios para que possam dar conta das mesmas tarefas que os homens me parece tão inadequado quanto dizer que há seres humanos de primeira e de segunda classes.

Se somos iguais aos homens? Creio que não. A antropologia nos fez diferentes; a cultura nos distanciou e o preconceito nos tornou adversários.

Mas, acreditem, é na tal diferença que nos equivalemos em humanidade. Valores humanos nascidos do bem pensar perpassaram os séculos e nos autorizam a afirmar que ser diferente não é ser menos, nem mais; é só ser DIFERENTE.

O que é ótimo! Da diferença nasce a evolução; quando presto atenção no que me é estranho amplio meus horizontes, perco o receio, aceito.

Digo que a tolerância é autoritária – e talvez este seja um ponto de vista “feminino”. Ora, tolerar é “permitir” que o outro possa ser e fazer de modo diverso do que eu entendo ser o “certo”. E o que é certo? Certo é quando eu “aceito” o outro como semelhante, quando da minha aceitação nasce o respeito.

E o que isto tem a ver com as mulheres? Tudo! Silenciadas por décadas, ignoradas em suas capacidades cognitivas por séculos, as mulheres conseguiram romper o casulo do autoritarismo e da opressão, quebrando tabus, ocupando espaços e conquistando respeito na mesma sociedade que fazia delas bonecas descerebradas.

A inglesa Ada Lovelace, que viveu entre 1815 e1852, é considerada precursora da programação de computadores.

Outra inglesa, Mary Anning (1799-1847), revolucionou o conhecimento da pré-história com suas descobertas de fósseis de dinossauros.

Grace Hopper (1906-1993), doutora em matemática pela Universidade de Yale, é considerada a mãe da programação de computadores. Criou a Linguagem Comum Orientada para Negócios (COBOL, na sigla em inglês).

Bertha Lutz (1894-1976), ativista feminista, bióloga e política brasileira, foi precursora na defesa do direito de voto para as mulheres, obtido apenas em 24 de fevereiro de 1932.

Carolina Maria de Jesus (1914-1977), uma das primeiras escritoras negras do Brasil, viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, sustentando a si mesma e seus três filhos como catadora de papéis. Seu livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960, fez um enorme sucesso e chegou a ser traduzido para quatorze línguas. Era também compositora e poetisa.

Com estes exemplos chego a um outro conceito de inteligência, no mesmo Houaiss: “habilidade em tirar partido das circunstâncias, engenhosidade e eficácia no exercício de uma atividade, sagacidade, perspicácia”. Parece-me que foi este o caminho escolhido por mulheres que romperam barreiras e alcançaram destaque.

Diria, hoje, que lhes guiou também a resiliência, no sentido de não se deixar moldar, de não se dobrar aos parâmetros até então aceitáveis. De dar de ombros e seguir, simplesmente seguir, cientes e seguras do caminho escolhido.

A todas elas devemos muito. E devemos igualmente às anônimas, que foram às ruas ou não, que mansamente incutiram nos filhos ideias menos preconceituosas, que economizaram tostões para comprar livros.

A inteligência das mulheres não me parece definível, mas sem ação inteligente e pioneira ainda estaríamos todas enfurnadas em casa, praticando o temor reverencial socialmente aceito.”

[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Quociente_de_intelig%C3%AAncia

[2] https://www.amazon.com.br/Intelig%C3%AAncia-emocional-Daniel-Goleman/dp/8573020806?tag=goog0ef-20&smid=A1ZZFT5FULY4LN&ascsubtag=go_726685122_54292137521_242594579893_pla-398944926153_c_

[3] Houaiss, Antonio e Villar, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro : Objetiva, 2001, p. 1630-1631

[4] https://www.lendo.org/teoria-inteligencias-multiplas-gardner/ “

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