O NOVO ILUMINISMO: STEVEN PINKER EXPLICA COMO A CIVILIZAÇÃO RESOLVERÁ OS DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS.

outubro 21, 2019 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO LEUDOO nosso Colaborador Permanente Afonso Leudo de Oliveira CARVALHO (Licenciado em Matemática pela UNIASSELVI, Especialista em Metodologias do Ensino de Matemática, Autor do Artigo “Ritmo, Poesia e Matemática” publicado na Revista Percursos nº 10 da UDESC) desta vez nos brinda com texto sobre o Novo Iluminismo , com destaque para Steven PINKER e os desafios contemporâneos.

Leia a seguir:

“Da sobrevivência pré-histórica às leis que regem o mundo contemporâneo: como evoluímos para criar ideias e estruturas tão complexas? Quais caminhos nosso cérebro tomou até chegarmos a Sociedades capazes de prevenir e conter possíveis desordens em nossos sistemas? Steven Pinker se propõe a explicar tudo isso. A mais recente obra do psicólogo canadense, que acaba de chegar ao Brasil, é mais do que uma aula sobre a história do pensamento.

O livro O Novo Iluminismo reúne dados da psicologia, história, comunicação, neurociência, economia e muitos outros campos para esclarecer como criamos nossa civilização – e o que precisa ser retomado se não quisermos perder o que construímos.

Pinker, conhecido – e até criticado – por seu suposto otimismo, mostra lados nem tão positivos assim. O psicólogo aponta crenças, tendências e padrões humanos primitivos que prosseguem até os dias atuais. Para ele, o mundo não é cor-de-rosa, o ser humano não é pura bondade e a natureza é sim caótica. O otimismo de Pinker surge a partir da capacidade que o ser humano tem de modificar estes quadros desordenados. O otimismo surge quando ele aborda as ferramentas que criamos para barrarmos a violência e o sofrimento – para aprendermos a dialogar mesmo em um mundo onde as antigas aldeias, tão pequenas, se tornaram globais.

A leitura da obra é densa, mas fluida. São diversos os dados apresentados ao longo dos capítulos e a costura destas informações pode assustar o leitor. Mas é justamente a habilidade de Pinker de interligar tantas áreas diversas que o torna um dos pensadores de maior influência do nosso tempo.

Escolhemos, para compartilhar com vocês, um trecho-chave da obra. Neste excerto inédito, Steven Pinker resume como nossa civilização foi construída. O psicólogo vai da alimentação paleolítica à Revolução Industrial, sem deixar de passar pela influência do Iluminismo, é claro, até chegar aos desafios da convivência na nossa Era da Informação. São algumas páginas capazes de nos “iluminar” sobre quem fomos, quem somos e onde vivemos. Desconfio que essa seja outra razão pela qual muitos pensadores iluministas eram deístas. Evidentemente, é natural duvidar que o seu celular “sabe” um número favorito, que o GPS “calcula” o melhor trajeto para voltar para casa e que o seu aspirador de pó automático “quer” limpar o assoalho Porém, à medida que os sistemas de processamento de informação tornam-se mais complexos — à medida que suas representações do mundo tornam-se mais ricas, seus objetivos são organizados em hierarquias de subobjetivos dentro de subobjetivos, e suas ações para atingir os objetivos tornam-se mais diversificadas e menos previsíveis —, começa a parecer chauvinismo hominídeo insistir que eles não se sofisticam.

A inteligência humana continua a ser o referencial para o tipo artificial, e o que faz do Homo Sapiens uma espécie singular é o fato de que nossos ancestrais cultivaram cérebros maiores que coligiam mais informações sobre o mundo, raciocinavam a respeito delas de modos mais refinados e recorriam a uma maior variedade de ações para atingir seus objetivos. Eles se especializaram no nicho cognitivo, também chamado nicho cultural e nicho dos caçadores-coletores. Isso abrangia um conjunto de novas adaptações.

Essas disposições permitiram aos primeiros hominídeos derrotar as defesas de uma grande variedade de plantas e animais e colher a recompensa em forma de energia, a qual, armazenada em seus cérebros cada vez maiores, ampliou seus conhecimentos e seu acesso a ainda mais energia. Uma tribo contemporânea de caçadores-coletores bastante estudada, os hadza, da Tanzânia, que vive no ecossistema onde os primeiros humanos modernos evoluíram e provavelmente preserva boa parte do modo de vida deles, extrai 3 mil calorias diárias por pessoa de mais de 880 espécies. Criaram esse cardápio recorrendo a modos engenhosos e exclusivamente humanos de obter alimento — abater animais grandes com flechas envenenadas, remover abelhas da colmeia com fumaça para roubar mel e aumentar o valor nutricional da carne e tubérculos pelo cozimento.  Parece frustrá-los, já que existem imensamente mais modos de as coisas darem errado do que de darem certo. Casas pegam fogo, navios naufragam, batalhas são perdidas por falta de pregos de ferradura. A noção da indiferença do universo enraizou-se ainda mais quando a evolução foi compreendida. Predadores, parasitas e patógenos tentam nos devorar constantemente, pragas e organismos decompositores tentam carcomer nossos bens materiais. Isso pode nos causar grande sofrimento, mas eles não se importam. A pobreza também dispensa explicações. Em um mundo governado por entropia e evolução, esse é o estado-padrão da humanidade. Matéria não se arranja espontaneamente para ser abrigo ou roupa, e seres vivos fazem de tudo para não se tornar nossa comida. Como observou Adam Smith, o que precisa ser explicado é a riqueza. Contudo, ainda hoje, quando poucos acreditam que acidentes e doenças têm perpetradores, grande parte das discussões sobre pobreza consiste em argumentos sobre quem deve ser culpado por ela. Nada disso significa que o mundo natural seja isento de malevolência. Ao contrário, a evolução garante que ela exista em abundância. A seleção natural consiste na competição entre genes a serem representados na próxima geração, e os organismos que vemos hoje são descendentes daqueles que suplantaram seus rivais em competições por parceiros reprodutivos, alimento e dominância. Isso não quer dizer que todos os seres sejam sempre rapinantes; a teoria evolucionária moderna explica como genes egoístas podem originar organismos altruístas. Steven Arthur Pinker – nascido em 18 de setembro, 1954 – é um canadense-americano psicólogo cognitivo, linguista e popular. Ele é professor da família Johnston e no Departamento de Psicologia da Universidade de Harvard é conhecido por sua defesa da psicologia evolutiva e da teoria da mente computacional.

As especializações acadêmicas de Pinker são cognição visual e psicolinguística. Seus temas experimentais incluem imagens mentais, reconhecimento de formas, atenção visual, desenvolvimento da linguagem infantil, fenômenos regulares e irregulares na linguagem, as bases neurais das palavras e gramática e a psicologia da cooperação e comunicação.

Pinker foi apontado como um dos intelectuais mais influentes do mundo por várias revistas.

O Livro conduz o leitor a autocrítica.”

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