MARIO VARGAS LLOSA

dezembro 30, 2019 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO LEUDOO  Colaborador Permanente Afonso Leudo de Oliveira CARVALHO (Licenciado em Matemática pela UNIASSELVI, Especialista em Metodologias do Ensino de Matemática, Autor do Artigo “Ritmo, Poesia e Matemática” publicado na Revista Percursos nº 10 da UDESC) desta vez nos brinda com texto sobre o extraordinário Mario Vargas Llosa. Leitura muito interessante neste alvorecer do ANO 2020.  O Texto em inteiro teor :

“Jorge Mario Pedro Vargas Llosa nasceu em Arequipa, no Peru, no dia 28 de março de 1936. Passou sua infância na cidade de Cochabamba na Bolívia, e nas cidades peruanas de Piura e Lima.

O divórcio e a posterior reconciliação de seus pais, o levou a frequentes mudanças de domicílio e de colégio. Entre os 14 e os 16 anos foi interno na Academia Militar de Lima.

Pouco depois, ingressou na Universidade de San Marco em Lima, onde cursou Literatura. Para poder se manter nos estudos Vargas Llosa trabalhou como redator de notícias em uma emissora de rádio. Entre 1956 e 1957, junto com Luis Loayza e Abelardo Oquedo, publicou o periódico “Cadernos de Composições”, e entre 1958 e 1959, a “Revista de Literatura”. Com o lançamento dos periódicos e a publicação da coletânea de contos “Os Chefes”, Mario Vargas Llosa tornou-se conhecido nos círculos literários.

Em 1959, Vargas Llosa mudou-se para Paris, onde começou a trabalhar como redator da agência de notícias Frances Press, onde permaneceu até 1966.

A consagração de Vargas Llosa se deu com a publicação do romance “Batismo de Fogo” (1963), no qual descreve o ambiente opressivo do colégio militar de Lima, com base em experiência própria. Foi uma denúncia sobre a realidade política do Peru, país que vivia uma ditadura.

Temas semelhantes aparecem em “A Casa Verde” (1966), que recebe o Prêmio Rómulo Gallegos, e “Conversa de Catedral” (1969), obras que contribuíram para dar ao autor o reconhecimento internacional.

Em 1967, Vargas Llosa mudou-se para Londres onde viveu três anos. Nesse período, lecionou na Queen Mary College.

Sua obra critica a hierarquia de castas sociais e raciais, vigente ainda hoje, segundo o escritor, no Peru e na América Latina. Seu principal tema é a luta pela liberdade individual na realidade opressiva do Peru. A princípio, assim como vários outros intelectuais de sua geração, Vargas Llosa sofreu a influência do existencialismo de Jean Paul Sartre.

Muitos dos seus escritos são autobiográficos, como “A cidade e os cachorros” (1963), “A Casa Verde” (1966) e “Tia Júlia e o Escrevinhador“(1977).

Por “A cidade e os cachorros” recebeu o Prêmio Biblioteca Breve da Editora Seix Barral e o Prêmio da Crítica de 1963. Sua obra seguinte, A Casa Verde, mostra a influência de William Faulkner. O romance narra a vida das personagens em um bordel, cujo nome dá título ao livro.

Seu terceiro romance, Conversa na Catedral, publicado em quatro volumes e que o próprio Vargas Llosa caracterizou como obra completa, narra fases da Sociedade peruana sob a ditadura de Odria em 1950.

Há um encontro, num botequim chamado “La Catedral”, entre dois personagens: o filho de um ministro e um motorista particular. O romance caracteriza-se por uma sofisticada técnica narrativa, alternando a conversa dos dois e cenas do passado. Em 1981 publica A Guerra do Fim do Mundo, sobre a Guerra de Canudos, que dedica ao escritor brasileiro Euclides da Cunha, autor de Os Sertões. Uma obra prima.

No ano de 2006 Vargas Llosa publicou o livro “Cartas a um jovem romancista”, uma espécie de guia para jovens escritores. O livro trata das técnicas do romance. Em uma série de capítulos escritos como se fossem cartas a um jovem ávido por conhecimento da profissão, o autor discorre sobre o que é imprescindível para a criação de um livro. Começa afirmando que todas as histórias se alimentam da vida de seu criador, como um catóblepa, criatura fantástica, descrita  por Jorge Luis Borges e que, inadvertidamente, pode comer partes do próprio corpo.  O autor aborda também o estilo, que deve ser coerente com a história contada e fazer o leitor viver a obra sem perceber que está lendo.

Sobre a relação entre narrador e espaço, afirma que o narrador é o personagem mais importante de todos os romances, pois dele dependem os demais, e, no entanto, ele não deve ser confundido com o autor. O narrador pode ser um personagem externo à trama ou ambíguo – de modo que não sabemos se está dentro ou fora do mundo narrado. Além disso, várias obras possuem mais de um narrador. Chama a atenção para a relação entre o espaço ocupado pelo narrador e o espaço narrado: na narração de um personagem, esses dois espaços coincidem, mas, quando o narrador é externo à trama, isso não acontece. Já o narrador ambíguo pode assumir qualquer um desses papéis.

Quanto ao tempo, Vargas Llosa afirma que o tempo do romance não é igual ao da realidade, mas uma outra forma, que o autor pode usar para se desvencilhar dela. Ha uma distinção simples: o tempo cronológico e o tempo psicológico. O primeiro existe independentemente da subjetividade humana; o segundo se transforma em função de nossas emoções.

 Outro capítulo trata dos níveis de realidade, da relação entre o plano de realidade em que se situa o narrador e aquele em que se desenrola a história narrada. Nesse caso, também, os planos podem coincidir ou não. Os planos mais claramente autônomos são o do “mundo real” e o do “mundo fantástico”. Além disso há guinadas, alterações em qualquer ponto de vista (espacial, temporal ou de nível de realidade).

 E, por fim, Llosa fala sobre “a caixa chinesa” ou a “boneca russa” (matriosca), como um recurso narrativo em que, tal como esses objetos, uma história principal gera outra ou outras histórias derivadas.

Ele conclui encorajando o leitor, afirmando que esforço, disciplina e leituras sistemáticas podem levá-lo a desenvolver seu próprio estilo. Em 7 de outubro de 2010 foi agraciado com o Prêmio Nobel da Literatura pela Academia Sueca de Ciências “por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual”.

Inicialmente simpatizante do socialismo e admirador de Fidel Castro, assim como da revolução cubana, Vargas Llosa acabou por adotar posições liberais, a ponto de candidatar-se à presidência de seu país  e ganha o primeiro turno com uma coligação de centro-direita, Mas Fujimori ganhou no segundo turno.

Estamos no momento, lendo do autor Os Cadernos de Dom Rigoberto.

Uma trama magnífica!!!”

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Última atualização em 19 de Janeiro de 2020.
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