A Metaética e o Relativismo Moral em Tempos Efêmeros: Superficialidade, Tolerância e Vazio Epistemológico

março 10, 2020 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO GIANCARLO MOSERO nosso Colaborador Permanente   Prof. Dr. Giancarlo MOSER(Pós-Doutor pela FGV/RJ, Doutorado em Ciências Sociais , Doutorado em Patrimônio Cultural (PPGTH/UNIVALI, Graduação em História pela UFSC , Licenciatura em Sociologia- Professor da UDESC), escreveu texto de elevada qualidade filosófica , conectando a Metaética com  o Relativismo Moral para observar “Tempos Efêmeros”, sob as variáveis da Superficialidade, Tolerância e Vazio Epistemológico. Merece leitura atenta. Veja a seguir:

“Ao conjugar dialeticamente um postulado binomial, sem o ranço nefasto do maniqueísmo incauto que advoga a dualidade de pensamento ou de termos como sendo a máxima manifestação do julgamento epistemológico e a expressão finda como ‘doxa’ intelectual, nos afastamos desta mesma conjugação possível em termos de relativismo, buscamos tão somente, se seguirmos o corolário acima, um confrontamento de equações exatas.

Contudo a episteme de metaética infunde postulados que remetem aos conceitos de relativismo moral que são, a priori, inversamente proporcionais a dualidade simplista da narrativa demagógica e sem profundidade da cultura corrente na pseudo-intelligentsia acadêmica e midiática, contrariando Hegel e Kierkgaard que aborda como a ironia pode ser entendida como uma estrutura comunicativa que explora o mal-entendido na dualidade entre o fenômeno e o conceito, onde pode ser usada como estratégia crítica, como foi utilizada por Sócrates.

A ironia socrática é a etapa do método dialógico em que Sócrates questionava o que as pessoas sabiam para que, elas próprias, ao tentarem defender suas opiniões, percebessem a limitação de seus argumentos, a contradição entre eles e a imprecisão de seus conceitos. Derivada do verbo eirein (perguntar), a palavra “ironia” tem o sentido de interrogação fingindo ignorância. O método é negativo, no sentido de que Sócrates não usou para a construção de uma filosofia positiva, apenas era usada para colocar o interlocutor em aporia (sem palavras), e através disso realizar a maiêutica (arte do parto), que é o procedimento de levar à pessoa a verdade por si mesma.

Contudo, na semântica das discussões de dubiedades emerge o senso de uma Metaética como tentativa de entender os pressupostos e compromissos metafísicos, epistemológicos, semânticos e psicológicos, do pensamento, da fala e das práticas morais. Como tal, seu domínio é uma ampla gama de perguntas e quebra-cabeças, incluindo: a moralidade é mais uma questão de gosto do que de verdade? Os padrões morais são culturalmente relativos? Existem fatos morais? Se há fatos morais, qual é a origem deles? Como é que eles definem um padrão apropriado para o nosso comportamento? Como os fatos morais podem estar relacionados a outros fatos (sobre psicologia, felicidade, convenções humanas)? E como aprendemos sobre os fatos morais, se houver algum? Essas perguntas levam naturalmente a quebra-cabeças sobre o significado das reivindicações morais, bem como sobre a verdade moral e a justificação de nossos compromissos morais.

Nesse contexto, o relativismo moral é um tópico importante na metaética. Também é amplamente discutido fora da filosofia (por exemplo, por líderes políticos e religiosos), e é controverso entre filósofos e não filósofos. Talvez isso não seja surpreendente, tendo em vista as evidências recentes de que as intuições das pessoas sobre o relativismo moral variam amplamente. Embora muitos filósofos sejam bastante críticos ao relativismo moral, existem vários filósofos contemporâneos que defendem suas formas.

O termo “relativismo moral” é entendido de várias maneiras. Na maioria das vezes, está associado a uma tese empírica de que existem divergências morais profundas e generalizadas e a uma tese metaética de que a verdade ou justificação dos julgamentos morais não é absoluta, mas em relação ao padrão moral de uma pessoa ou grupo de pessoas. Às vezes, o “relativismo moral” está ligado a uma posição normativa sobre como devemos pensar ou agir em relação àqueles com quem discordamos moralmente, mais comumente que devemos tolerá-los.

Às vezes, o relativismo está associado a uma posição normativa, geralmente relacionada à maneira como as pessoas devem considerar ou se comportar em relação àqueles com quem discordam moralmente. A posição normativa mais proeminente nessa conexão diz respeito à tolerância.

Nos últimos anos, a idéia de que devemos ser tolerantes tem sido cada vez mais aceita em alguns círculos. Ao mesmo tempo, outros desafiaram essa idéia, e o entendimento e justificativa filosófica da tolerância se tornaram menos óbvios. Nesse contexto, tolerância normalmente não significa indiferença ou ausência de desaprovação: significa ter uma política de não interferir com as ações de pessoas baseadas em julgamentos morais que rejeitamos, quando o desacordo não é ou não pode ser racionalmente resolvido.

O contexto da discussão é freqüentemente, mas nem sempre, sobre desacordos morais entre duas sociedades. O relativismo moral fornece suporte à tolerância nesse sentido? Além da questão filosófica de saber se alguma forma de relativismo moral fornece ou não uma razão para atitudes como tolerância, existe a questão psicológica de saber se as pessoas que aceitam ou não o relativismo têm mais probabilidade de serem tolerantes.

Não obstante, é consideravelmente mais fácil ver como as opiniões de outras culturas são importantes se você considerar a verdade sobre valores e códigos morais mais objetivas do que relativa às práticas de uma sociedade. Se a verdade sobre o que é valioso é independente do que uma sociedade em particular acredita, então uma sociedade pode ter uma perspectiva da verdade que faltava a outra. No entanto, a atitude rotulada de “relativismo moral” pelos que se preocupam com a saúde moral da sociedade contemporânea não é uma posição filosófica bem definida ou rigorosamente defendida. Normalmente, isso representa pouco mais que um ceticismo sobre a verdade moral objetiva, geralmente expressa como a idéia de que crenças e ações não são certas ou erradas por si mesmas, apenas certas ou erradas para alguém. Neste sentido, não se esta considerando imoralidade, injustiça ou niilismo moral; ao contrário, tentasse tão somente dizer algo sobre a natureza das reivindicações morais e as justificativas dadas a elas. O principal problema que se enfrenta é mostrar como a negação da verdade moral objetiva não precisa implicar um subjetivismo que drena a racionalidade do discurso moral. Seus críticos, por outro lado, enfrentam a tarefa possivelmente ainda mais desafiadora de justificar a afirmação de que existe uma verdade moral objetiva.”

“Referências

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 4.ed. São Paulo: Martin Claret, 2010.

BRINK, D. O. Moral Realism and the Foundations of Ethics. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.

CHAUI, Marilena. Elementos de lógica. In: Filosofia. 1.ed. São Paulo: Ática, 2002.

MONDIN, Battista. Escola Sofista. In: Introdução à filosofia. 16.ed. São Paulo: Paulus, 2006. Parte 2, p. 224-225.”

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