LIÇÕES DE UMA PANDEMIA NA ERA DAS REDES SOCIAIS

março 21, 2020 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO GIANCARLO MOSERO  Colaborador Permanente   Prof. Dr. Giancarlo MOSER(Pós-Doutor pela FGV/RJ , Doutorado em Ciências Sociais , Doutorado em Patrimônio Cultural (PPGTH/UNIVALI), Graduação em História pela UFSC , Licenciatura em Sociologia- Professor da UDESC), escreveu, a nosso convite, uma crônica sobre as “Lições de Uma Pandemia na Era das Redes Sociais”. Merece leitura com reflexão:

A cólera, a peste bubônica, a varíola e a gripe são alguns dos assassinos mais brutais da história da humanidade. E os surtos dessas doenças através das fronteiras internacionais são definidos como pandemia, especialmente a varíola, que ao longo da história matou entre 300 e 500 milhões de pessoas em seus 12.000 anos de existência.

Segundo alguns pesquisadores apenas quatro fenômenos causam nivelamento em larga escala. Epidemias e pandemias podem fazê-lo, como a Peste Negra fez quando mudou os valores relativos à economia e do trabalho no final da Europa medieval. O mesmo ocorreu com o colapso total de estados e sistemas econômicos inteiros, como no final da dinastia Tang na China e a desintegração do Império Romano do Ocidente. Quando todo mundo está pauperizado, os ricos perdem mais. A revolução total, do tipo russa (1917) ou chinesa (1949), se encaixa nesta perspectiva conta. Um fenômeno similar a estas revoluções ocorreu também no século XX: duas guerras de mobilização em massa, com quase 80 milhões de mortos.

Nivelamentos catastróficos serão menos prováveis no futuro. As pandemias são um risco real, mas pragas de impacto semelhante à peste negra não são. Nem guerras totais deverão ser travadas em futuro de médio prazo. Além disso, desde a Revolução Industrial a prosperidade geral aumentou, independentemente da desigualdade. E nas últimas décadas a desigualdade global caiu.

À medida que a nova pandemia de coronavírus varre o mundo e as pessoas vão para suas casas para evitar a disseminação do contágio, faz sentido que grande parte das conversas sobre o assunto esteja ocorrendo on-line. As pessoas estão usando a Internet para compartilhar informações, expor suas ansiedades e aguardar um tempo em quarentena. Os momentos em que essas conversas on-line acontecem também nos dizem muito sobre como estão evoluindo nossos sentimentos em torno da pandemia

As menções ao “coronavírus” nas plataformas sociais e na mídia televisiva começaram a decolar no final de fevereiro. Isso foi depois que o primeiro caso de coronavírus de origem desconhecida, também conhecido como transmissão comunitária, surgiu nos Estados Unidos.

Na atual situação, as pessoas precisam de um lugar para estar, para se isolar do contágio e os espaços virtuais serão tudo o que eles têm por um tempo. Atenuar a disseminação de informações erradas e tomar medidas para intervir diretamente na crise são fundamentais nesta situação. Mas o período de isolamento social que agora está imposto sobre país oferecerá um novo tipo de teste para nossas redes sociais. E para passar, todos nós precisamos ser criativos.

As conversas virtuais são apenas uma maneira de as mídias sociais oferecerem uma janela para nossa resposta coletiva ao surto de coronavírus, além de moldar nossa reação em primeiro lugar – para o bem e para o mal. À medida que o COVID-19 se espalha, plataformas como Facebook, WhatsApp e Twitter, que não existiam ou mal existiam durante grandes surtos anteriores, estão facilitando conversas importantes sobre o vírus, ao mesmo tempo em que permitem, como efeito colateral, a disseminação de sensacionalismo, mentiras (fake news) e desinformação. Além disso, o nível sem precedentes de informações em tempo real ao nosso alcance pode nos dar as ferramentas necessárias para tomar decisões inteligentes, mas também nos deixa mais ansiosos com o que está por vir.

A possibilidade otimista é que as redes sociais podem ser úteis no momento em que muitos de nós estamos isolados. Conversas sobre o coronavírus, especialmente as da comunidade virtual, podem nos ajudar a enfrentar essa crise, pois essas discussões estão refletindo como a população está pensando e reagindo à crise e estão permitindo que a Sociedade fale sobre o que é um tipo de ameaça sem precedentes. Cientistas e outros especialistas em saúde pública também estão usando as mídias sociais para se envolver diretamente com o público ou discutir pesquisas emergentes, enquanto os líderes civis e militares a usam para formar redes para ajudar grupos sociais mais vulneráveis.

Mas para todo especialista que tenta compartilhar informações precisas ou líderes comunitários que organizam grupos de ajuda, existem milhares de usuários divulgando rumores, sensacionalismo e outras formas de desinformação.

Neste sentido, e por fim, vale rememorar Albert Camus, na obra ‘A Peste’, que demonstrou que as piores pragas não são biológicas, mas morais. Em circunstâncias de adversidade emana o pior da Sociedade: individualismo, escassez de solidariedade, infantilidade e despautério

Mas também aflora o melhor, pois, mesmo no profundo infortúnio, perseveram pessoas justas que dedicam sua segurança e bem-estar para ocupar-se de outras pessoas.”

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