02 DE ABRIL – DIA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO DO AUTISMO

abril 2, 2020 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTODA CINTIANossa Colaboradora Cintia da Rosa EBERT (Psicóloga, Psicopedagoga , CRP 12/14523) muito oportunamente, produziu excelente texto que enfatiza o dia 02 de abril, que é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Merece leitura atenta, com reflexão, mas e sobretudo com ação. Eis a integra:

“Em meio ao caos que estamos vivendo por conta da COVID-19, muitos de nós perdemos a noção dos dias da semana ou do mês. Mas o dia de hoje precisa ser marcado, lembrado, divulgado. Hoje é 2 de abril, dia Mundial de Conscientização do Autismo.

Este dia foi definido pela Organização das Nações Unidas, em 2007, com o objetivo de chamar a atenção da Sociedade e da mídia em geral para o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). No Brasil, o tema para 2020 é “Respeito para todo o espectro”, com o uso da #RESPECTRO nas redes sociais.

O TEA é definido, de acordo com o DSM V (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – em português: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), como um transtorno do neurodesenvolvimento que envolve déficits significativos na interação social, na comunicação verbal e não verbal, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades. Esses sintomas devem estar presentes na primeira infância, podendo ser observados desde os primeiros meses de vida ou ainda a partir de regressões, quando a criança perde habilidades já adquiridas (normalmente por volta dos 2 anos de idade).

As causas do autismo ainda não são totalmente conhecidas. Sabe-se que há modificações genéticas, grande componente hereditário, contribuição de fatores ambientais, mas ainda não se conseguiu isolar a origem do transtorno. Assim como cada pessoa com autismo é única, as causas também parecem ser individuais com alguns componentes em comum.

O que se sabe ao certo é que Autismo não é moda, não é fruto da falta de limites e, infelizmente, ainda não tem cura. As pessoas que estão dentro do espectro apresentam alterações cerebrais, nas quais as conexões entre os neurônios se dão de forma diferente, ocasionando as dificuldades descritas no DSM V.

Se as causas não estão definidas, também o diagnóstico não é simples. Não há exames que identifiquem o autismo, o que muitas vezes atrasa o início das intervenções, fazendo com que a criança perca meses ou anos valiosos de tratamento.

Os procedimentos para o diagnóstico são essencialmente clínicos (entrevista com familiares, observações sociais, uso de escalas de avaliação estruturadas), não há alterações físicas na criança, nem exames específicos ou marcadores biológicos determinados. O TEA depende da observação sistemáticas do comportamento e depende de muitas variáveis, justamente por ser um espectro, o que significa que afeta diferentes habilidades com diferentes graus de comprometimento. Pessoas dentro do Espectro do Autismo podem ser totalmente dependentes ou totalmente independentes, constituindo família e inserindo-se no mercado de trabalho. O ideal é que o diagnóstico seja feito por equipe multidisciplinar, envolvendo psiquiatra, psicólogo, neuropediatra, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional, avaliando o funcionamento global da criança.

Mesmo com tantas incertezas, a ciência tem avançado no que diz respeito ao tratamento de crianças com TEA. Atualmente há muitos tratamentos experimentais, alguns com resultados satisfatórios, outros apenas utilizando-se do desespero das famílias na busca de uma cura milagrosa causando prejuízos incomensuráveis. Até o momento, a maioria das intervenções com comprovação científica de eficácia são as baseadas na Análise Aplicada do Comportamento.

Um dos fatores mais importantes para o tratamento do Transtorno do Espectro é a precocidade do início das intervenções. Sendo assim, aos primeiros sinais de dificuldade na comunicação, atraso da fala, pouco contato visual (muitas vezes percebido nas mamadas), falta de resposta ao chamado pelo nome, interesses restritos, comportamentos repetitivos, brincadeiras não funcionais, o recomendado é que se inicie imediatamente intervenções intensivas e consistentes, mesmo antes do fechamento de diagnóstico. Pequenos atrasos na primeira infância podem se transformar em grandes atrasos conforme aumentam as exigências do ambiente.

A propósito, sobre o ambiente, impossível falar em Autismo, em diferenças individuais, sem refletir sobre o mundo atual, a intolerância com o diferente, a tentativa de padronização, a falta de empatia.  Por que é tão difícil lidar com a diferença do outro? O que isso nos diz sobre nossas próprias limitações e imperfeições? O que aconteceria nas nossas relações se resolvêssemos ser quem realmente somos, assim, sem máscaras?

Crianças com autismo serão adolescentes e adultos com autismo. A qualidade de vida dessas pessoas, em todas as etapas, depende de tratamento e acompanhamento adequado já nos primeiros anos de vida. Procurar um profissional qualificado e especializado é o único caminho para aumentar a autonomia e qualidade de vida dessas pessoas.

#RESPECTRO hoje e sempre.”

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