OUTRO BAIANO ARRETADO: JOÃO UBALDO RIBEIRO

maio 22, 2020 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO LEUDOO Colaborador Permanente Afonso Leudo de Oliveira CARVALHO (Licenciado em Matemática pela UNIASSELVI, Especialista em Metodologias do Ensino de Matemática, Autor do Artigo “Ritmo, Poesia e Matemática” publicado na Revista Percursos nº 10 da UDESC) participa de nosso Blog com texto estimulante sobre João Ubaldo RIBEIRO. Inteiro teor a seguir:

“João Ubaldo Ribeiro (1941-2014) foi romancista, cronista, jornalista, tradutor e professor brasileiro. Membro da Academia Brasileira de Letras ocupou a cadeira n.º 34 , na qual teve repercussão de sua obra.  Em 2008 recebeu o Prêmio Camões. Foi um grande disseminador da cultura brasileira, sobretudo a baiana. Entre suas obras que fizeram grande sucesso encontram-se “Sargento Getúlio”, “Viva o Povo Brasileiro” e “O Sorriso do Lagarto”, que  se tornou minissérie da Rede Globo.

João Ubaldo Ribeiro nasceu na ilha de Itaparica, na Bahia, no dia 23 de janeiro de 1941, na casa de seus avós. Era filho dos advogados Manuel Ribeiro e  Maria Filipa Osório Pimentel, que atuavam em Salvador

João Ubaldo foi criado até os 11 anos, em Sergipe, onde seu pai trabalhava como professor e político. Fez seus primeiros estudos em Aracaju, no Instituto Ipiranga. Em 1951 ingressou no Colégio Estadual Atheneu Sergipense. Em 1955 mudou-se para Salvador, e ingressou no Colégio da Bahia. Estudou francês e latim.

A carreira literária de João Ubaldo Ribeiro começou ainda nos seus primeiros anos de estudante. Antes de decidir-se, foi jornalista ao lado do amigo Glauber Rocha. Ubaldo foi um dos jovens escritores a participar do Interacional Writing Programe da Universidade de Iowa. Formou-se em Direito na Universidade Federal da Bahia em 1962, mas nunca advogou.

Em 1963 pulicou seu primeiro romance, “Setembro Não Tem Sentido”.

Fez pós-graduação em Administração Pública na mesma universidade. Recebeu uma bolsa de estudos para cursar o mestrado em Administração Pública, na Universidade da Califórnia.De volta ao Brasil, João Ubaldo lecionou Ciência Política na Universidade Federal da Bahia, durante seis anos.

A segunda obra de João Ubaldo foi “Sargento Getúlio” (1971) que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Revelação, em 1972. A obra narra a saga de Getúlio Santos Bezerra, sargento da PM que busca a proteção de um político após matar a própria mulher. A obra chegou aos cinemas nos anos 80, protagonizada pelo ator Lima Duarte.

VIVA O POVO BRASILEIRO- Em 1984, João Ubaldo ganhou o Prêmio Jabuti com o romance, “Viva o Povo Brasileiro” (1984). O livro é um romance histórico, recheado de humor, com personagens fictícios, que recria quase quatro séculos da história do país, incluindo episódios marcantes, como a Guerra do Paraguai e a Revolta dos Canudos. A obra foi traduzida para o inglês, pelo próprio autor, ganhando versões em vários outros idiomas.

Com Glauber Rocha edita revistas e jornais culturais e participa do movimento estudantil. Lê (ou relê), então, os grandes clássicos: Rabelais, Shakespeare, Joyce, Faulkner, Swift, Lewis Carroll, Cervantes, Homero, e, entre os brasileiros, Graciliano Ramos e Jorge de Lima.

Participa da antologia Panorama do Conto Bahiano, organizada por Nelson de Araújo e Vasconcelos Maia, em 1959, com “Lugar e Circunstância“, e publicada pela Imprensa Oficial da Bahia. Passa a trabalhar na Prefeitura de Salvador como office-boy do Gabinete e, em seguida, como redator no Departamento de Turismo.

O SORRISO DO LAGARTO

Entre seus maiores sucessos está “O Sorriso do Lagarto” (1989) que aborda temas como a ambição humana, o amor e as ameaças do mundo moderno, numa história cheia de traições e mistérios. A obra foi adaptada para minissérie da TV Globo em 1990. Outro campeão de vendas foi “O Albatroz Azul” (2009), no qual conta a história de Tertuliano, herdeiro de um proprietário de terras que teve filhos com duas irmãs. Para não perder a herança, o patriarca precisa se casar com uma delas.

Em 1993, João Ubaldo Ribeiro foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, para a cadeira n.º 34. Em 2008, recebeu em vida o Prêmio Camões, maior honraria da literatura em língua portuguesa. João Ubaldo deixou uma obra mítica e cotidiana, na qual discutia aspectos sociais e políticos, ligados às raízes do Nordeste. Ainda nos anos 80, Ubaldo descobriu a crônica, que escreveu até o fim da vida. O que tornou sua obra ficcional ímpar foi a competência com que aliou a temática da brasilidade a um extraordinário refinamento. Em 1969 casou-se com a historiadora Mônica Maria Rotes, com quem teve duas filhas. Separado, em 1980, casou-se com a fisioterapeuta Berenice de Carvalho Batella, com quem teve um casal de filhos. João Ubaldo Ribeiro faleceu no Rio de Janeiro, em decorrência de embolia pulmonar, no dia 18 de julho de 2014.

ALGUMAS FRASES DE JOÃO UBALDO

Ah, Senhor, os dias correm vagarosos como caramujos, os anos não perduram mais que uma fagulha, o passado não acaba nunca.

  • Ah, como passam as coisas deste mundo, nada do que se constrói é perene, nada do que se faz é bem lembrado além de seu tempinho, nada fica como está, nunca se volta, nunca se volta.Ha sempre um adiante.

  • Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo.

  • É quase uma compulsão: eu tenho vontade de usar a palavra certa.

  • O segredo da Verdade é o seguinte: não existem fatos, só existem histórias.

Obras de João Ubaldo Ribeiro

  • Setembro Não Tem Sentido, romance, 1968

  • Sargento Getúlio, romance, 1971

  • Vence Cavalo e o Outro Povo, conto, 1974

  • Vila Real, romance, 1979

  • Livro de Histórias, conto, 1981

  • Política: Quem Manda, Porque Manda, Como Manda, ensaio, 1981

  • A Vida a Paixão de Pondonar, o Cruel, literatura infantil, 1983

  • Viva o Povo Brasileiro, romance, 1984

  • Sempre aos Domingos, crônica, 1988

  • O Sorriso do Lagarto, romance, 1989

  • A Vingança de Charles Tiburane, infanto juvenil, 1990

  • Um Brasileiro em Berlim, livro de crônicas, 1995

  • O Feitiço da Ilha do Pavão, romance, 1997

  • A Casa dos Budas Ditosos, romance, 1999

  • Miséria e Grandeza do Amor de Benedita, romance, 2000

  • O Conselheiro Come, crônica, 2000

  • Dia do Farol, romance, 2002

  • A Gente se Acostuma a Tudo, crônica, 2006

  • O Rei da Noite, crônica, 2008

  • O Albatroz Azul, romance, 2009

  • Dez Bons Conselhos de Meu Pai, infanto juvenil, em 2011”

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