RELAÇÕES FAMILIARES EM TEMPO DE PANDEMIA

julho 9, 2020 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO RICARDO ROSANosso Colaborador Permanente Ricardo José da ROSA (Professor; Advogado; Comendador e Presidente do Conselho Deliberativo do IASC; Acadêmico e Diretor Financeiro da ACALEJ- Academia Catarinense de Letras Jurídicas) contribui para nosso Blog com oportuno e atualíssimo texto denominado : Relações Familiares em tempo de pandemia. Vide inteiro teor a seguir:

“Início com cumprimentos ao professor Cesar Luiz Pasold pelo sucesso de seu blog conversando com o Professor, que superou a marca de um milhão de visualizações, sucesso merecido.

Pretendo, por meio deste artigo, apresentar matéria para reflexão envolvendo o ambiente familiar em época de pandemia.

Ouvi, e concordo plenamente, que ao contrário do que muitos pensam e falam, o ano 2020 não é um ano perdido, mas um ano para aprofundarmos nossos conhecimentos e repensarmos nossos relacionamentos, é um ano especial para nosso desenvolvimento. Lamentavelmente certos fatos que nos chegam ao conhecimento dão conta que nem todos saberão aproveitar essa oportunidade especial, e continuarão carregando suas cargas de egoísmo e ganâncias em prejuízo de seus semelhantes.

A pandemia suscita oportunidades para apresentação de diversos temas, o que tem sido feito com frequência. Pretendo, no presente artigo, abordar seus efeitos nos relacionamentos familiares, sejam efeitos positivos ou negativos.

Apresentado o preâmbulo acima, vejamos o que tem ocorrido em muitos lares. Parto da premissa de que todos os lares, ao menos os que realmente merecem tal denominação , sustentam-se no tripé respeito, fidelidade e amor. Em época de crise, como a que nos faz enfrentar a pandemia, devemos reforçar esta base como forma de superá-la e manter nossos relacionamentos familiares saudáveis. Vejamos, pois, cada uma das bases de sustentação.

Respeito significa consideração, tratar o outro como uma pessoa detentora de direitos que devem ser respeitados, direito à i ntegridade fìsica, psìquica, moral, à individualidade. Tratar o outro como queremos ser tratados, esse é o mandamento maior. Pois bem, nessa época de pandemia temos assistido a um aumento considerável de casos de revelação de índoles violentas, até com requintes de crueldade, subjugando pela força física ou utilizando-se de uma pretensa hierarquia para Imposição da vontade ou meramente para descontar em outros membros da família as frustrações decorrentes das l imitações impostas pelas normas sanitárias. Algumas vezes a tirania é exercida como maneira de esconder o medo que sentem, abalados na sua condição de provedores em consequencia da possibilidade ou mesmo da perda do emprego .

A violência física, normalmente praticada pelo homem, é inaceitável e pode tanto atingir a companheira quanto aos filhos, crianças indefesas.

Sinto-me no dever de prestar uma homenagem à Dra. Tammy Fortunato, brilhante advogada e Presidente da Comissão de Combate às Violências contra a Mulher, do Instituto dos Advogados de Santa Catarina, que vem desenvolvendo excelente trabalho no combate à violência doméstica. Igualmente perniciosa é a violência aplicada através do assédio moral, na maioria das vezes tratado nas relações de trabalho mas que vem ocorrendo com frequencia cada vez maior no ambiente familiar.

O assédio moral consiste na conduta abusiva e frequente, manifestada por palavras, escritos, gestos e até pelo silêncio expondo o outro a situações humilhantes e que possam trazer danos à sua personalidade, dignidade ou integridade psíquica. É importante destacar que não são os sentimentos: raiva, frustração, i rritação, ansiedade que são condenáveis, mas as atitudes tomadas, a violência física ou psíquica contra a companheira (ou companheiro, por que não?), filhos ou outros membros da família.

Quanto à fidelidade lembro sempre a frase que me foi dita há anos, pelo amigo Dr. André Mello: Para meus amigos não rogo pragas, só quero que arrumem uma amante. Antes da era da internet e da modificação dos valores familiares se podia conceituar mais facilmente a infidelidade.

Atualmente se questiona se a infidelidade pode ser praticada pelas redes sociais, ou se uma “escapadinha” de vez em quando não se trata apenas um ato inconsequente. No meu entender, qualquer ato que possa provocar a quebra de confiança entre o casal pode ser caracterizado como infidelidade, mas compreendo que outros poderão discordar. Encerro o tema com a citação de Imanuel Kant, famoso filósofo alemão: “Tudo o que não puder contar que fez, não faça”.

Por fim, considero o amor como essencial para a manutenção adequada do ambiente familiar, capaz de evitar as ofensas físicas, psíquicas e a infidelidade.

Mas o que é o amor? Imaginemos que o prezado l eitor acorde numa bela manhã, tome um banho e sirva-se com um apetitoso café da manhã. Prepara-se, feliz, para ir a uma reunião da quals espera obter ótimos resultados. Porém, ao chegar à garagem, depara-se com o pneu do carro vazio. A felicidade é substituída pela irritação. Pede à esposa que chame o seguro para a troca do pneu e vai de Uber. Motorista agradável, boa conversa, música agradável fazem retornar a alegria. Ao chegar no local da reunião é avisado que haverá um atraso de uma hora. Raiva, sangue chega a ferver, o que fazer até lá?

Assim os sentimentos vão se alternando, diversas vezes durante o dia, Assim é o amor, enquanto sentimento, tudo maravilha, sobretudo no início do relacionamento, o tempo passa, a companheira faz algo que desagrada, vem a costumeira acusação: ela sempre faz isso! depois tudo passa, um agrado e tudo volta ao normal. Solução?

A decisão de amar, de aceitar o outro de seu jeito, apesar do desagrado que eventualmente me cause. Certa vez uma prima estava discutindo com seu marido e, irritada, disse: estou mesmo boa para me separar! A reação dele: para, para, para, nós casamos para sempre, sem essa de separação… agora podemos voltar a brigar. É claro que a briga acabou naquele instante. Não quero dizer que não seja lícito se separar, até porque às vezes a separação é consequencia do respeito.

O que digo é que não basta o primeiro pneu furado para justificar a separação. Se pegarmos um objeto do mais puro ouro, brilhando, e o deixarmos exposto ao tempo, todo o brilho desaparecerá.

Assim acontece com o passar do tempo nos relacionamentos familiares, ou e busca o espanador e devolve-se o esplendor do ouro ao objeto ou se joga fora a jóia preciosa.

Nessa época de pandemia, fica a provocação para reflexão.”

 

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Última atualização em 12 de Agosto de 2020.
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