A VIAGEM DE THÉO É UMA VIAGEM PELO MUNDO DESVENDANDO AS RELIGIÕES

julho 26, 2020 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO LEUDOO Colaborador Permanente Afonso Leudo de Oliveira CARVALHO (Licenciado em Matemática pela UNIASSELVI, Especialista em Metodologias do Ensino de Matemática, Autor do Artigo “Ritmo, Poesia e Matemática” publicado na Revista Percursos nº 10 da UDESC) comparece no nosso Blog, dessa vez com uma das mais importantes obras da francesa  Catherine Clément, filósofa, novelista e feminista. Texto em inteiro teor para leitura e crescente aprendizagem de todos nós, a seguir:
A VIAGEM DE THÉO é uma das muitas obras da francesa Catherine Clément, filósofa, novelista e feminista, onde é possível notar um grande empenho da autora em transmitir ricas informações sobre as mais variadas religiões do mundo.

O enredo do livro gira em torno de Théo, um adolescente francês que sofre com uma grave enfermidade — a qual permanece misteriosa — e sua família. Sendo de origem grega e tendo pais ateus, Théo só tinha contato com a religião através da mitologia grega e egípcia, fosse por meio de pesquisas ou pelas histórias em jogos de videogame.
Entretanto, após a descoberta de sua doença, a família decide deixá-lo viajar pelo mundo com sua excêntrica e viúva tia Marthe. Ele deixa para trás sua família e sua grande amiga Fatou, de origem africana, apenas tendo contato com ela para ter pistas sobre os próximos passos da viagem e com sua família para que saibam de sua saúde.

É interessante notarmos o significado do nome do personagem, que pode significar tanto “Deus” quanto “presente de Deus”. Ou seja, ao nos depararmos com o título da obra, é possível notar que seu conteúdo diz respeito a esta esfera tão importante do que é ser humano: a religiosidade e a espiritualidade.

Fora isso, a participação de Tia Marthe em A Viagem de Théo se mostra importante: ela é uma mulher viúva, muito rica e independente, que viajou por muitos países. Seu papel no decorrer da história é ajudar Théo a entender como as religiões funcionam e apresentá-lo aos anfitriões de cada país. Em Israel, por exemplo, Théo tem contato com as origens judaico-cristãs, onde sua tia lhe apresentou um rabino, um padre e um sheik (seria o equivalente a um padre ou pastor na religião islâmica).

Contudo, apesar da grande densidade de conteúdo da obra, A Viagem de Théo tem as suas limitações. Quando Théo e sua tia chegam ao Brasil, mais especificamente na Bahia, eles têm contato com as religiões de origem africana. Isso, por si só, foi um grande presente, exceto pelo fato de que há uma generalização quando o assunto são suas vertentes e há uma rasa abordagem quanto ao sincretismo religioso que prevalece em nosso país. Dessa forma, com apenas esse exemplo tão próximo de nossa cultura, abre-se um questionamento quanto a uma possível falta de aprofundamento ou até mesmo a generalização sobre a religiosidade de cada lugar — o que, por outro lado, é totalmente compreensivo, já que compilar dezenas de religiões e tradições em uma única obra não é tarefa fácil.

No decorrer das páginas embarcamos junto a Théo desvendando os mais diversos países, culturas e religiões. A Viagem de Théo pode ser facilmente comparada com O MUNDO DE SOFIA, de Jostein Gaarder, só que, enquanto este livro faz uma viagem sobre a filosofia, A Viagem de Théo faz um grande panorama sobre as religiões. Outro ponto em comum com a obra de Gaarder é sua abordagem e linguagem simples, adequando-se, em tese, ao público juvenil.

Entretanto, devemos levar em consideração que na edição feita pela Companhia das Letras, foram despendidas  668 páginas, fazendo com que a extensão da obra e a imensidão de conteúdo sejam um desafio ao leitor. Certamente a leitura é válida para quem quer conhecer mais sobre as religiões.

Assim, Clément, com seu trabalho tão extensivamente bem feito, não apenas nos dá um panorama geral sobre as religiões em si, mas também nos mostra o quanto a espiritualidade é importante para o ser humano — e, neste caso, para Théo, um menino doente que vai passando por um processo de cura, tanto física quanto espiritual, durante sua jornada com sua Tia Marthe.

Em tempos de quarentena e pandemia, nada mais saudável para a mente que um bom livro. Recheado de aventuras e desafios, A Viagem de Théo trata, também, de quem acredita que a fé possa curar as mazelas do mundo e do corpo. A Viagem de Théo, não é, obrigatoriamente, um livro para crentes, ou, para armar ainda mais quem discorda da possibilidade de chegarmos a paz de espírito, e dos países que vivem em guerra justamente por razões religiosas, não, o livro de Clément nos projeta para uma análise mais profunda das possibilidades da fé nos redimir, nos fazer aceitar o próximo como ele é e, saber comentar ou criticar os pilares mais sólidos de diversas religiões. Lemos duas vezes o livro A Viagem de Théo, exatamente para podermos postar aqui no Blog do Professor, pela seriedade com que encaramos os processos evolutivos através das religiões.

Depois do êxito do sublime romance A Viagem de Théo, Catherine Clément decidiu escrever uma sequela. Assim, ficamos a saber em que espécie de jovem adulto se transformou o sobrinho de Marthe, a criança que sobreviveu ao cancro. Desta vez, dando largas ao temperamento cada vez mais vincado de milionária excêntrica, Marthe consegue convencer Théo, a acompanhá-la em mais uma viagem à volta do planeta. E Théo é agora estudante de medicina, com o objectivo de concluir a tese sobre as doenças características dos países do III Mundo, isto é, associadas à ausência de infraestruturas, relacionadas com os problemas de saúde pública.

Através do recurso e métodos pouco ortodoxos – ou nem tanto – a manipuladora Marthe consegue persuadir Théo ao convencê-lo de que está doente e a acompanhá-la na viagem que pretende realizar, a pretexto de uma cura emocional. Em troca, promete ajudar sobrinho, dando-lhe os meios para prosseguir a sua investigação no terreno, em vários continentes afectados por problemáticas diversas. Mas a tendência para Marthe assumir o comando das operações cedo desencadeia um conflito ao chocar com o forte sentido de autonomia de Théo, o qual tem bem definidos os moldes em que deseja concretizar a viagem. Afinal não se trata de um passeio de teor propriamente recreativo.

O desenvolvimento da narrativa é feito com base na dicotomia entre duas formas de ver o mundo: o hedonismo materialista de Marthe, para quem o dinheiro é a solução de todos os problemas e o idealismo ou as preocupações relativamente a um futuro sustentável e saudável para o planeta, postura que é incarnada pelo jovem estudante de Medicina que, no romance se dedica a avaliar o estado de saúde do planeta. No aspecto psicológico, temos a propensão para o hiper-dramatismo e algo histriónico de Marthe a contrastar com a bonomia e altruísmo do sobrinho, habituado já a lidar com condições adversas.”

Adendo do Autor Leudo : “ Caterine Clément, nasceu em Paris em 1939. Autora de obras de filosofia, antropologia e psicanálise, tornou-se mais conhecida como teórica feminista e romancista. Vários de seus livros, entre os quais A VIAGEM DE THÉO e O SANGUE DO MUNDO, frequentaram as listas dos mais vendidos em vários países, incluindo o Brasil.”

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