VIDA E OBRA DE TOLSTÓI

fevereiro 1, 2021 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO LEUDOO Colaborador Permanente Professor Afonso Leudo de Oliveira CARVALHO comparece no nosso Blog, com panorama consistente sobre Vida e Obra de Tolstói. Merece leitura e reflexões, como segue:

“Leon Tolstói (1828-1910) foi um escritor russo, autor de “Guerra e Paz”, obra-prima que o tornou célebre. Profundo pensador social e moral é considerado um dos mais importantes autores da narrativa realista de todos os tempos: 24 de junho, de 1828. Quando se lê Guerra e paz pela primeira vez, abre-se uma página distinta na biografia de cada um de nós. Por isso, escrever uma crítica apropriada desse livro é um desafio quase impossível. O que não é difícil é expressar minha imensa gratidão por ter tido a sorte de vivenciar o poder da grande arte num encontro tão pessoal – o poder da palavra criativa de penetrar a alma e produzir uma tempestade de emoções e de pensamentos, de chocar, deleitar e iluminar.

A obra-prima de Tolstói nos fala de questões existenciais sobre a essência do homem, o significado da vida, do amor, da felicidade, da morte…É uma aventura e uma viagem por um mundo diferente, não apenas em termos de geografia e de tempo. Ela nos fornece, nas palavras de Turguêniev, uma representação fiel do caráter e do temperamento do povo russo (de uma era passada), “melhor do que se lêssemos centenas de obras de etnografia e de história”.

O romance é catártico e transformador, provocando uma mudança em nossa percepção e compreensão do mundo. É uma jornada que exige que nos livremos de todos os clichês e das imagens produzidas pela miríade de versões cinematográficas do livro de Tolstói, para assim “descobrir o que só pode ser descoberto pela arte do romance” nas palavras perspicazes de Kundera. Isso requer, de modo especial, que nos abramos à polifonia da narrativa e à compreensão que Tolstói tem da “história” – a razão de ser desse livro. Foi o que o afastou de sua intenção original de escrever sobre os Dezembristas, para ir buscar as fontes da sua inspiração – seguindo o sábio conselho de Puchkin, de escrever com sinceridade sobre o que foi presenciado, a guerra e a paz. Este é o princípio épico do romance, que liga os fios invisíveis da narrativa, formando um quadro único e monumental da vida.

Ninguém antes de L. N. Tolstói mostrou a guerra com tal realismo e poder artístico, negando qualquer interpretação romântica e vendo a guerra como a maior manifestação do mal, um fenômeno contrário à própria natureza do homem.

 “A guerra não é nenhuma cortesia, é a coisa mais vil do mundo”, reflete o príncipe Andrei Bolkónski na véspera da batalha de Borodinó, cujo número de mortes só seria superado pelas guerras do século XX.

O romance de Tolstói versa sobre o caráter fatídico dos conflitos sangrentos nas relações humanas. Explora as origens das guerras napoleônicas no Oriente (em 1805 e 1812) e seus resultados, focando nos seus impactos gerais sobre a vida do povo russo, mas também nos destinos individuais dos atingidos por esses eventos históricos. É sobre o que se perde e o que se descobre no calor da batalha. Ele mostra que, além das aldeias pilhadas, dos campos abandonados e embebidos de sangue humano, das chamas de Moscou, é o próprio mundo da Rússia anterior à guerra que desvanece. Com cada homem morto no campo de batalha, todo o seu inimitável mundo espiritual perece, milhares de fios são rompidos, os destinos de seus entes queridos implacavelmente mutilados…

Esta verdade da guerra – “no sangue, no sofrimento, na morte”, que Tolstói, ele mesmo ex-participante da guerra no Cáucaso e da defesa de Sebastopol, proclamou como princípio artístico nos seus contos de guerra – precisava ser humanizada, tornando-a compreensível. O escritor chegou cedo à conclusão de que “todo fato histórico deve ser explicado humanamente” e, para ele, isso significava retratar os eventos através do destino de seus personagens.

Assim, a guerra define o caráter dos protagonistas no romance – se impondo inexoravelmente em suas existências para marcar e moldar suas vidas, e servindo como teste decisivo da posição moral das pessoas. A família Rostóv é obrigada a deixar Moscou. Na guerra, o jovem Pétia Rostóv perece. Pierre Bezúkhov é capturado e tem de aprender a sobreviver e a compreender esse infortúnio. Natacha, que é marcada nas profundezas da alma pela morte de seu amado, fica horrorizada com a insensata destruição de vidas.

Ao mesmo tempo, a guerra também é uma prova da resistência do homem e da sua capacidade de descobrir o significado de sua existência, mesmo sob as condições mais adversas. O destino do príncipe Andrei Bolkonsky é o de traçar seu caminho, superando a ilusão da glória militar e terrena, para alcançar a reconciliação com a vida através da experiência do transcendente, no amor e na agonia.

Com seu talento incomparável, Tolstói pinta o íntimo entrelaçamento do homem e da paisagem, tanto a física como a emocional, muitas vezes contrastando a majestade da natureza com a loucura humana, com a mecânica da violência da guerra. Tudo que fizesse de cenário um embalo para dor

Revelar a verdade sobre a guerra é muito difícil, conclui Tolstói, e ele aborda o tema através de outro contraste – com a sua concepção de paz.

A “guerra” não é apenas a ação militar dos exércitos em luta, mas também a animosidade e a desunião das pessoas em tempos de paz, separadas por barreiras sociais e morais, pela alienação e isolamento e pelo seu egoísmo. Igualmente, a “paz” aparece no romance se desdobrando nos seus vários significados. A paz nega a guerra porque sua essência está no trabalho e na felicidade, na manifestação livre e natural da personalidade. E esta concepção está subjacente ao próprio credo estético de Tolstói:

De Tolstói, que primeiro deu ao autor a ideia de escrever um romance sobre um Dezembrista envelhecido voltando para Moscou em 1850.  Logo descobriu que precisava pesquisar e escrever sobre a experiência dos Dezembristas lutando pelo exército russo em 1812, para trazer vida à sua história, e isso, por sua vez, levou-o a 1805, quando a Rússia entrou pela primeira vez em guerra com Napoleão e perdeu.

Será isso uma mácula para Rússia?”

 

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