OS IDOSOS E A PANDEMIA

março 19, 2021 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO RICARDO ROSANosso Colaborador permanente, Professor  Ricardo José da ROSA (Presidente do Conselho Deliberativo do IASC; Acadêmico e Diretor da Academia Catarinense de Letras Jurídicas-ACALEJ; Diretor do Núcleo de Ética Profissional da Escola Superior da Advocacia-ESA/SC.) escreveu texto sobre um tema relevante nesses tristes tempos de Corona Virus: Os Idosos e a Pandemia.

O inteiro teor, a seguir, merece leitura e reflexão:

“Hoje, logo após despertar, olhei-me atentamente no espelho, e gostei da imagem que vi: um senhor com lindas rugas, representando todos os momentos de lutas, conquistas, decepções, vida familiar e profissional trazidos ao presente pela memória. Vi um senhor de cabelos brancos trazendo à memória uma vida honrada dedicada à família, aos amigos, ao Direito e à Justiça. Vi até uma certa gordura abdominal, reduzida bastante ao seguir a orientação de minha nora nutricionista, Gerusa, representando tempos passados de fartura e de certos exageros prazerosos da vida, repetidos eventualmente nos dias de hoje. Realmente, gostei do que vi.

Recomendo aos idosos que façam esta experiência: olhem-se no espelho.

Mais atentamente, fixei os olhos da imagem refletida e, para minha surpresa, deparei-me com um olhar triste, preocupado e com muito medo.

Vivemos, há um ano, sob uma trágica pandemia provocada pelo coronavírus. Há pouco mais de um ano foi confirmado o primeiro caso da covid-19 e, nesse curto período os números são mais que alarmantes: 11.519.609 casos confirmados no Brasil, 279.286 óbitos e em Santa Catarina 733.309 casos confirmados, 8.791 óbitos. Em todo Brasil enfermos fazem filas aguardando vagas nos hospitais. O mundo todo sofre esse flagelo. Enquanto não ocorrer uma vacinação em massa os números sinistros vão aumentar vertiginosamente, não se vê uma solução a curto ou médio prazo.

Não há como manter um olhar alegre e despreocupado nesse momento, seria muita insensibilidade. Acredito que os números seriam menores se algumas regras básicas fossem seguidas, regras simples tais como: usem máscaras ao sair de casa, ou mesmo em casa quando eventualmente recebam a visita de algum parente ou prestador de serviços, quando indispensável; respeitem o distanciamento social, jamais se aglomerem; higienização sempre, álcool gel, sabão, o que for necessário. Troquem de roupa e, se possível, banhem-se ao chegar em casa. Permaneçam em casa o tempo que puderem.

Sou, particularmente contra (respeitando sempre outros posicionamentos) à paralisação de todas as atividades. Creio que a observância às regras básicas seriam suficientes para combater o vírus sem quebrar a economia, sem causar aumento de desempregos e causando desespero e miséria. Não vejo a diminuição de números de casos nas cidades em que o lockdown foi adotado. Até concordo com algumas restrições, dentre as quais não incluo a proibição das aulas presenciais, com a observância das recomendações sanitárias: medição de temperatura, obrigatoriedade do uso de máscaras, higienização de alunos e professores com álcool gel em abundância, Separação das cadeiras escolares a uma distância segura, umas das outras.

A simples proibição das atividades tidas como não essenciais (considero que todas são essenciais, digam o contrário para quem perde o emprego em razão do fechamento da empresa) gera grandes aglomerações como as vistas recentemente, em protestos contra o lockdown. Como impedir que um pai de família deixe de protestar ante a perda ou mesmo a ameaça real da perda do emprego, das condições de sustento próprio, da esposa e dos filhos? E o pior, revoltado recusa-se ao uso da máscara e não se importa com a aglomeração.

A fiscalização deve ser rigorosa, coibindo o trânsito de pessoas sem máscara, o ajuntamento de pessoas em lugares fechados ou abertos sem distanciamento social recomendado, as irresponsáveis festas clandestinas. Os governantes podem muito, mas a responsabilidade maior é nossa, cidadãos, maiores interessados na volta à normalidade.

Torno a fixar-me na imagem do espelho e vejo um olhar de pânico nos olhos do senhor idoso à minha frente. O que esta pandemia fez com os idosos?

Vejo um terrível medo da doença, afinal, somos idosos mas não queremos morrer, sermos vencidos pela covid, o que é bem possível se o vírus se acomodar em nossos organismos. A situação adquire contornos mais assustadores ao termos  notícias da morte de algum parente, amigo ou mesmo um conhecido dos tempos dos bancos escolares.

Os noticiários mais frequentes atualizam o aumento do número de casos, de óbitos e de lotação dos hospitais, mostrando pessoas desesperadas na espera de vaga. A pergunta que cada idoso faz é: o que acontecerá comigo se precisar de hospital, ainda que por razão diversa da covid? O pânico se instala em nossas mentes e nos tornamos potencialmente em participantes das filas aguardando atendimento por algum voluntário do CVV. Como idoso tenho combatido o pânico, tentando manter a calma, em primeiro lugar redobrando os cuidados e adotando as medidas profiláticas recomendadas: tomei a vacina tríplice viral, vitaminas B, C, D e zinco. Mesmo que nada disso faça efeito, me sinto mais tranquilo, sem descuidar-me das regras básicas.

Se não sair de casa, pouco e com todos os cuidados recomendados, abrirei as portas para a ansiedade. É verdade que abandonei temporariamente a academia (os idosos aprenderam a se cuidar e fazem academia), mas não dispenso uma caminhada matinal, em horário de menos movimento e fugindo do encontro das pessoas sem máscara. De quando em vez vou ao shopping tomar um cafezinho, sentindo saudades dos amigos que me acompanhavam para falarmos sobre planejamentos e outras coisas sérias, ou somente para “jogar conversa fora” (expressão manezês). O local é seguro com medição da temperatura ao entrar, todos de máscara, álcool em abundância e distanciamento entre as mesas.

Visitas dos filhos e netos, todos de máscara, mantendo distanciamento, facilitado pelo fato de morar em casa. Duas ou três vezes por semana saio, com minha esposa, para uma “volta de carro”, com os vidros fechados e apenas para ver pessoas e paisagens.

O fato é que nossa vida mudou muito, com esta pandemia. Por mais que nos esforcemos não conseguimos manter a tranquilidade, matar a saudade dos amigos, os abraços, os beijos dos filhos e netos. Até os tradicionais almoços de domingo estão suspensos. Muito triste.

Torno a fixar-me no idoso refletido no espelho e vislumbro um olhar de esperança, provocado pela fé num Ente Superior que me protege e me dará forças se necessário, e também pela ciência dos homens: as vacinas estão chegando!”

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Este Blog sucede ao www.advocaciapasold.com.br que foi visitado 109983.

Esta página já foi visitada 1630120 vezes.

Site disponibilizado pela primeira vez em 18 de novembro de 2015.
Última atualização em 08 de Abril de 2021.
Responsável Técnico: Leonardo Latrônico Prates
Responsável Geral: Prof. Dr. Cesar Luiz Pasold