ACORDADO OU SONHANDO? EIS O BUSÍLIS!

abril 1, 2021 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO NICOLAUNosso Colaborador Nicolau LUPIANHES NETO  (Professor; Mestre e Doutor; Juiz de Direito no TJMG), atendendo ao nosso convite apresenta suas reflexões sobre os tempos de Pandemia em que vivemos. Merece leitura atenta e reflexões, sem dúvida.

Eis a Crônica:

“Acordo, são seis horas do dia 24 de março de 2021, ano I da pandemia. Trezentos mil mortos no Brasil. Olho no espelho, apalpo meu rosto; respiro. Estou vivo. Acordado, pelo menos penso que sim.

Caminhando até a padaria mais próxima – cometo esse atrevimento de sair de casa – para buscar pão e leite, vejo casas comerciais, até então tradicionais, grandes e pequenas, com as portas fechadas. Assustei. Não havia percebido antes.

Defronte a padaria, pessoas, sim, seres humanos, mendigando pão e leite. Verdadeira indignidade contra o humano, o Sagrado. Porém, real.

Embora não me sinta tão responsável por essa quadra, pois creio que não contribui tanto para isso, sinto certo remorso – próprio ou alheio – por ainda ter condições de comer “o pão de cada dia” conquistado com o “suor do meu rosto”, e compartilhar tão pouco.

São poucos os companheiros – aqueles que comem do mesmo pão – e muitos os necessitados.

No curto caminho de volta, levito. Vejo meu Brasil, o nosso Brasil, celeiro do mundo, o gigante da América do Sul, sangrando, chorando, mas peleando contra a peste. Alguns lutando de forma lúcida e outros tantos, ensandecidos. Apesar disso não está morto quem peleia.

Em casa, o telejornal informa ou desinforma sobre a pandemia de Covid-19. Emana energias. Não sei mais distinguir, em certas ocasiões, a frequência vibracional, mas sinto que a egrégora se altera. Corpo e alma sofrem com dores.

Suportamos, cada qual a seu tempo e modo, os impactos sociais, econômicos, culturais e políticos, sem precedentes na história recente da humanidade.

Ainda não sabemos quais serão os efeitos colaterais da pandemia, e como o meio ambiente reagirá, para reger a vida em todas as suas formas. Mais do que nunca o meio ambiente equilibrado deverá ser uma preocupação geral e real, com ações efetivas, senão outras epidemias virão, e para evitá-las uma coisa é certa: não poderemos sair da pandemia piores do que entramos. Não será inteligente, nem correto e nem ético.

Seres humanos não são descartáveis.

Poucos estão lúcidos para levar a nave ao seu merecido e necessário destino. A quem interessa essa nau à deriva?

Encontraremos o seguro cais do porto, ou iremos ao caos. Somos todos timoneiros, portanto, responsáveis pelo destino dessa nau. Estamos todos nela.

Insensatez, incompetência, manipulação ardilosa da realidade, e interesses não republicanos, aéticos não mostram um caminho seguro.

A coerência precisa prevalecer. E tem que ser agora. Amanhã será tarde.

Apesar de tudo, e de muitos e de outros, o gigante não cairá. Depois da ação desse fogo, que arde sem se ver, e faz doer, e não é amor; desse banho de extremos – quente e frio – a têmpera ficará mais resistente e o gigante prosperará. Vencerá a batalha e triunfará, como nunca.

Se todos acordarem, desadormecendo e também ajustando os rumos, pactuando eticamente, o futuro do Brasil não será sombrio. Acredito que haverá maior solidariedade entre as pessoas, o rompimento dos individualismos e a preocupação com o todo. Inúmeras “verdades”, múltiplas, serão enxergadas.

A inclusão de todos com a valorização e efetivação da dignidade humana, no sentido mais amplo possível, será o caminho que nos conduzirá ao cais do porto seguro, enquanto humanos. Um construir diário, permanente, durante um alargado período de tempo.

A tecnologia nos apresenta mais informações, em volume e velocidade impressionantes, mas o poder analítico não vem com a mesma intensidade. Teremos que aprender esse equilíbrio para sabermos o real valor delas e utilizá-lo em prol de todos.

Enfim, a reimaginação, o despertar para uma nova era, já iniciada com a pandemia de Covid-19, demandará a materialização das condutas necessárias para o tempo atual e futuro.

Por conforto ou por instinto de sobrevivência, cremos, muitas vezes, que “tudo só é o que pode ser”, mas poderá e deverá ser diferente, melhor.

Disse o poeta: “Quem quer passar pelo Bojador tem que passar além da dor”. Queiramos passar pelo Bojador; passemos além da dor. O mar continuará a espelhar o céu.

Então, dormiremos, sonharemos e acordaremos, num futuro melhor, desde que cada um faça a sua parte.

Acredito! “

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