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>Ruy Samuel Espíndola- Advogado e Professor Universitário. Membro da Comissão de Direito Constitucional da OAB/SC. Membro da Academia Catarinense de Letras Jurídicas-ACALEJ.

O imaginário que o cidadão comum tem da política e dos políticos não o ajuda a potencializar nossa democracia. Não enxerga como os filósofos gregos (Aristóteles e Platão, e. g.) a política e seu exercício como uma das mais honrosas atividades que alguém possa exercer na vida, diante de seus contemporâneos. Por isso muitos que se sentem capazes de fazer críticas à política e aos políticos, talvez não se achem estimulados a disputar mandatos eletivos ou cargos públicos de relevância político-social.

           Nesse sentido, vivemos uma “esquizofrenia cívica”: queremos o melhor da política e dos políticos, todavia não damos o nosso melhor à política. E qual seria esse melhor? Eu respondo com as seguintes perguntas: quem dos leitores deste artigo fez ou sabe que conhecido seu realizou esta conversa familiar: “filho, quando cresceres, ou quando se sentires apto, dedique quatro anos de sua vida a um mandato parlamentar ou no executivo”; “dê ao nosso Município, ao nosso Estado ou ao nosso País, quatro anos de sua vida, para o bem de nossa República!” Quantos professores disseram isso em sala de aula aos seus alunos, sejam eles ginasianos, secundaristas ou universitários? Quantos padres, pastores, líderes religiosos, disseram isso de seus púlpitos aos seus fiéis? Quantos dos leitores pensaram efetivamente em participar de uma agremiação política, ou organização social não partidária, para contribuir com os rumos das políticas desenvolvidas em nossas cidades?

            Dizia Nelson Mandela que se o ser humano apreende a odiar, pode também a apreender a amar. Estamos quase todos, pelo desencanto com a política, a desprezá-la, a achar que ela não tem solução, constituindo um espaço público de nojo coletivo. Apreendemos isso cotidianamente, pelos veículos de comunicação social. É ora de invertermos a lógica desse autoengano mergulhado em preconceito e desilusão. O cidadão precisa se erguer para apreender a amar a política e remeter para os seus quadros o seu melhor: seus filhos, seus alunos, nossa juventude e nossos homens maduros e exitosos em seus campos de atuação privada, e, sobretudo, nossas mulheres!

          A democracia é um processo inacabado, sempre em construção e mutação. Ela será maior ou menor dependendo do tamanho do amor e dedicação que os indivíduos terão pela esfera pública, pelo gosto de participação, de atuação cívica. Mandatos populares estão ao dispor daqueles que querem transformar sonhos em realidade e promessas políticas em grandes realizações sociais.

          Participe. Ame. Acredite. Lance seu corpo e sua alma no combate pela democracia. Vá a campo. Faça uma boa luta. Milite em um partido ou outra associação correlata. Realize campanha pelo candidato que melhor atenda aos seus anseios sociais e políticos. Ou seja o candidato que procurará efetivar as aspirações republicanas daqueles que acreditam em seus projetos. Estimule à participação de seus filhos, familiares, amigos, alunos, juventude e vizinhos. Só assim faremos de nossa democracia um projeto mais digno e aceitável para todos. Lamúrias, desilusões e preconceitos não edificam nada e não trazem bom futuro à Nação. Existem mais de 50.000 vagas de mandatos populares esperando por sua participação cívica nas eleições municipais deste ano. Adelante! É a sua hora e a sua vez de participar, para além do momento da urna eletrônica! Eleja ou se faça um candidato a prefeito ou vereador que fará a diferença positiva para o bom futuro de Santa Catarina e do Brasil. Sua atitude honrará a você, sua família, e a todos nós, seus concidadãos. E a política, honrada, agradecerá.

> Texto original publicado no DC , 24/08/16. Acessível em

http://dc.clicrbs.com.br/sc/vozes/noticia/2016/08/opiniao-o-cidadao-desencantado-com-a-atividade-politica-7316675.html?post_id=1173850939309721_1366657633362383#_=_