>Ontem, 08 de maio de 2016, completei 48 anos de exercício da Advocacia.

>Momento de trazer PARA REFLEXÃO, entre tantas, as seguintes preciosas lições de PIERO CALAMANDREI:

 “Para encontrar a Justiça é necessário ser-lhe fiel. Ela, como todas as divindades só se manifesta para quem nela crê.Quem entra no tribunal levando em sua pasta, em vez de boas e honestas razões, secretas ingerências, ocultas solicitações, suspeitas sobre a corruptibilidade dos juízes e esperanças sobre sua parcialidade, não se admire se perceber que se encontra, não no severo templo da justiça, mas numa alucinante barraca de feira, em que espelhos suspensos em todas as paredes refletirão, multiplicadas e deformadas, suas intrigas. Para encontrar a pureza no tribunal, é preciso entrar nele com a alma pura.”

 E mais adiante:

 “No dia em que eu visse os tribunais se fecharem por causa da falta de causas cíveis, não sei se me alegraria ou se me entristeceria. Me alegraria se, num mundo em que não se encontrasse mais ninguém disposto a fazer mal a seu semelhante, isso significasse o advento do amor universal ; me entristeceria se, num mundo em que não se encontrasse mais ninguém disposto a rebelar-se contra a prepotência alheia, isso significasse o triunfo da vilania universal.”

CALAMANDREI, Piero. Eles, os Juízes, vistos por um Advogado. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2000. Título original : Elogio dei giudici scritto da um avvocato. Respectivamente p. 4 e 152.