> As homenagens do BLOG às Mães são feitas através dos estímulos à reflexão que , atendendo ao nosso convite, o Professor, Sociólogo e Advogado SANDRO SELL e a Acadêmica de Direito PAULA TAVARES  apresentam nos dois belos textos que seguem!

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                       >DIA DAS MÃES – A ÓTICA DE UM FILHO

                                      [Sandro Sell – Sociólogo e Advogado]

   Dia das mães. Dia de homenagear a rainha do lar, a que padece no paraíso ou aquele ser que expressaria mais aproximadamente o amor de Deus pela sua criação na Terra – e tantas outras adjetivações de equivalentes sentidos.

   Ser mãe é ter que lidar com todos esses estereótipos que são, como ensinava Erving Goffman, “expectativas normativas”, que impõe a necessidade de atender a critérios de sacrifícios impostos pela sociedade. Sacrifícios que dificilmente nós – homens – aguentaríamos. Ser a primeira a levantar e a última a dormir. Ser a primeira ser chamada quando o bebê chora e a última a ter o direito de chorar. Ser a que lembra do presente do dia dos pais e a que ainda confere a agenda do filho para informar-se de que ele precisa avisar ao “esquecido papai” que envie alguns trocados para a escola, a fim de preparar a homenagem delas próprias – isso quando não são elas mesmas que enviam o dinheiro solicitado!

  Ser mãe é exigir de uma mesma pessoa o dever de ser uma heroína implacável e um centro irradiador de paciência. E quando essa inflacionada combinação de exigências sai um pouquinho dos trilhos, vêm as críticas de que não se é uma boa mãe, de que se é estressada, histérica ou coisas do gênero. Ser mãe é sentir-se constantemente culpada por achar que não se dá conta de tantas esperanças nela depositada.

   Mas os filhos, cedo ou tarde, acabam reconhecendo que, contra toda possibilidade humana, aquele ser que lhe acolheu no seu ventre ou lhe adotou no coração, mais do que cumprir a tarefa, mostrou que em se tratando de alguns humanos, o milagre é possível. O milagre de ter recebido a maior de todas as missões: ser a número um na vida de uma nova vida e não se importar em ser a número dois, três ou quatro na hora de satisfazer seus próprios interesses e desejos.

  Já é tempo de esperarmos um pouco menos das mães e dividirmos com elas o fardo dos estereótipos que as enaltecem, mas que também as sacrificam. Já é tempo de sermos, enquanto sociedade, mais justos e igualitários na distribuição das “realezas no lar”. Não para tirar as mães de seu merecido trono, mas sim para dividir com elas toda a angústia e trabalho de tão nobre função.

  Ao agradecer aqui à minha mãe, com lágrimas nos olhos, agradeço também às mães de todas e todos, que se não foram perfeitas, é porque eram apenas humanas, mas dentro dessa humanidade que diferença fizeram!

   Obrigado, mães!

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                        >DIA DAS MÃES, A ÓTICA DE UMA FILHA

                          [Paula Tavares – Acadêmica da 7ª Fase do                                                    Curso de Direito do CESUSC]

   Nesse dia das mães, dedico minhas palavras a todas as mulheres, que geraram ou não, dentro de si, uma nova vida.

   Mais do que isso, ser mãe é ser mulher. É nascer mulher em uma sociedade patriarcal.

   Nos tornamos mães ao entrarmos na fase adulta, ao deixarmos o nosso ninho materno para passarmos a cuidar de nós mesmas.

   Nos tornamos mães a partir do momento em que a idade começa a nos obrigar a tal. E se tornam frequentes as perguntas: “mas você está planejando ter filhos? Daqui a pouco não dá mais” Já que querer ser mãe é algo que devemos ter na nossa cartilha de boa mulher. Mas não tão jovem, nem tão velha.

   Dedico minha homenagem às mães de irmãos, de afilhados, e às professoras que cuidam de seus alunos como se fossem seus filhos.

  Àquelas que desejam segurar seu bebê no colo, e por algum motivo ainda não conseguiram.

  E as que muito cedo, através da maternidade, tiveram que aprender o significado de maturidade.

   O papel de mãe é tão vasto, que precisaríamos de um dia das mães para cada tarefa desempenhada: desde cuidar da casa, ajudar nos deveres, dar banho e comida à criança, trabalhar fora oito horas por dia, e ainda se manter linda e bem cuidada, como se espera dela.

  E ainda, se uma mulher adulta e bem resolvida escolhe não ter filhos, ou adotar futuramente, todas as críticas recaem sobre ela. Críticas estas que não se dão na mesma proporção aos homens.

   A exigência da mãe perfeita é muito mais do que o significado de cuidado e carinho. Na realidade, o que se cobra ainda é o ideal de mulher, que tem por objetivo de vida casar e ter filhos.

  Mas se esquece que além de carregar por nove meses em sua barriga uma nova vida, a mulher ainda carrega o peso do machismo em suas costas.

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