foto Elza GaldinoA Advogada Elza GALDINO escreveu texto abordando aspectos importantes da realidade da vivência do feminismo, apresentando, ao final, uma proposta  interessante e prática.  O Artigo foi publicado originalmente no DC de 27/02/2017, p. 15 , e é aqui reproduzido, em seguida, com a expressa autorização da Autora.

“VIVA O FUTEBOL DAS QUARTAS

O futebol das quartas é uma instituição masculina. Um direito inalienável dos solteiros, que permanece imutável com o casamento. Nas quartas se brinca, se esquece do estresse, se zoa, se resgata a alegria pura e simples. A socialização, segundo neurocientistas, é um dos remédios do cérebro. Já o encontro com as amigas das solteiras morre no dia do casamento. Com um pouco de sorte, dura até a chegada do primeiro filho.

O sistema, que a princípio rejeitou o feminismo, terminou por devorá-lo enquanto pensávamos que havia alguma conquista. O trabalho fora de casa não eximiu a mulher do trabalho doméstico; a divisão de tarefas inexiste. Assim, o sistema nos mantém tão ocupadas que não nos sobra tempo pra nada. Dando conta de toda a tarefa, não temos tempo para pensar no quanto perdemos nem para discutir em grupo sobre a violência representada pela opressão, pela sobrecarga de trabalho, pela diferença salarial, pelo abuso cotidianamente perpetrado.

Pouco mudou desde 1791, quando a escritora francesa Olympe de Gouges publicou uma “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã” em contraponto à “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, de 1789, que se recusou a estender os direitos civis e políticos às mulheres. E, em pleno século 21, aprova-se lei que garante aos maridos russos o direito de bater em suas mulheres e filhos uma vez por ano, com penas atenuadas. As penas mais graves agora serão para quem quebrar ossos, ou para quem agredir duas vezes dentro do mesmo ano.

Para clamar contra todo tipo de agressão, ativistas norte-americanas propuseram uma greve geral das mulheres no próximo dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Greve de tudo: de cuidados a sexo.

Grandes eventos geram notícias. E só. É preciso uma ação contínua.

Por aqui, proponho um “futebol das quartas” para as mulheres. Rindo, bebendo e comendo, podemos fazer “rolar a bola” e atacar nossos velhos e experientes adversários, todos vindos do preconceito que gera a desigualdade. É preciso avançar. E vencer.

Está na hora de ouvir: “Goooooolllll! Das mulheeeeeeres!”