Foto Marcelo Peregrino>O Advogado MARCELO PEREGRINO, postou na manhã de hoje, em seu Facebook, um texto especialmente estimulador de reflexões sobre a Democracia efetivamente praticada em nosso País. Com a autorização do Autor, estamos transcrevendo-o a seguir.

“O POVO, ESTE INCÔMODO.

Acompanhando as eleições vejo com tristeza e preocupação as restrições cada vez mais criativas sobre a política. Diminuímos o tempo de campanha, a propaganda é limitada para salvar o planeta, porque suja a cidade; é muito caro; cria desigualdade entre os candidatos e outros disparates sem qualquer fundamento. Os partidos devem ser diminuídos, o número de parlamentares também, bem como o universo daqueles que escolhemos por meio de mirabolantes inelegibilidades todas fruto de um modelo haurido na ditadura militar. No fundo, no fundo, acho que queremos uma democracia sem povo. Isso. O nosso medo é do povo. Só pode ser. Esta leitura aristocrática de parlamentares cultos que não agradecem a mãe, o time de futebol, Deus reflete uma certa vergonha do povo. Engraçado que a ideia de democracia é exatamente esta: a de que pessoas comuns devem gerir, devem predominar sobre qualquer elite. A democracia é o regime do domínio do povo. Ao abordar este argumento, Naomi Wolff lembra que na  Filadélfia, em 1806, por exemplo, fazendeiros, um ferreiro e um açougueiro integraram o  Parlamento local… Estamos na contramão da democracia, numa democracia tutelada pelo Estado que nos diz até em quem podemos votar, afinal de contas, o povo não sabe votar mesmo…”