” O tempo cai como a gota de óleo escorrida pelas bordas de uma ânfora, lentamente, como se o pudéssemos alcançar. Mas ele esvai ao fim, carregando nossos sonhos.

Nossos papéis , nós os cumprimos como convém a cada tempo e a cada idade. O gosto da ditadura ficou em nossas bocas como a trava amarga de  um fruto indesejado. Em alguns a garganta seca, as mãos presas…

Outrora, quando a juventude nos legava a ilusão de que poderíamos varrer da face da terra todo o tanto de injustiça que nela há, alguns de nós experimentaram as angústias extremadas que poderiam convir àquele tempo e àquela idade.

Sobrevivemos, cada qual com suas experiências, alegrias e tristezas, cada qual com suas cicatrizes e suas medalhas.”

>GRAU, Eros Roberto. Discurso de posse da Diretoria do IAB(12.04.2000). in Do ofício de orador . 2.ed. amp. Rio de Janeiro:Revan,2006.p. 17.