PANDEMIA DA COVID 19 E SUSTENTABILIDADE: reflexões contemporâneas

abril 14, 2021 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

foto Maria ClaudiaA Professora Dra Maria Cláudia da Silva Antunes de Souza (Doutora e Mestre em Derecho Ambiental y de la Sostenibilidad pela Universidade de Alicante – Espanha. Mestre em Ciência Jurídica pela Universidade do Vale do Itajaí – Brasil. Professora Permanente no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciência Jurídica da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. E-mail:  mclaudia@univali.br) produziu , a nosso convite, texto em que faz conexão entre a Pandemia Covid19 e a Sustentabilidade. O texto é muito estimulador de reflexões e merece leitura atenta, como segue:

                                           “O homem não teceu a teia da vida, ele é dela apenas um fio.

                                           O que fizer para a teia estará fazendo a si mesmo.”

                                                                                                                                         Ted Perry

       “A atual pandemia da Covid-19, considerada hoje como uma das maiores crises da história, trouxe consigo uma série de consequências sanitárias, econômicas, e sociais, solicitando das lideranças mundiais respostas urgentes a fim de frear os danos causados pelo vírus. A título de exemplo pode-se citar as seguintes solicitações: desacelerar a transmissão da Covid-19, diminuir o número de óbitos, amenizar os danos sociais e econômicos, entre outros.

    Diante desta situação, criou-se uma expectativa direcionada aos Estados acerca tomada de decisões de enfrentamento à pandemia, tendo como resposta: isolamentos e quarentenas forçadas, suspensão de atividades não essenciais, direcionamento de recursos de várias áreas para investir em instrumentos de combate à pandemia.

    Em um primeiro momento houve uma instabilidade no sistema de saúde, na sequência os efeitos alcançaram, também, os demais setores da Sociedade, econômico (encolhimento da economia devido à paralisação dos setores de produção), social (aumento significativo do desemprego em decorrência do abalo econômico), existencial/psicológico nas pessoas, que de repente se viram em um novo mundo, cada vez mais coordenado pela lógica de angústia e incerteza.

    Frente a este quadro, instalou-se um sentimento de temor estimulado pelo número de óbitos e sobrecarga dos sistemas de saúde. Além disso, a pandemia vem provocando, também, profundo medo nas populações por conta de seus impactos sociais e econômicos.

    A pandemia se tornou uma condição epistêmica para as tantas opiniões intelectuais e até científicas, ideologias, posições políticas, abordagens sanitárias e construções legislativas foram aplicadas e uma a uma, refutadas através da continuidade do aumento do número de mortos, crise econômica, social e existencial. Salienta-se o volume de depressão, pânico e suicídio que aumentaram exponencialmente.

    A pandemia é transnacional, as soluções precisam ser para além das fronteiras entre municípios, estados, nações e continentes.

    Como bem destacou o físico austríaco Fritjof Capra, no livro Teia da Vida (2006. p.22), ´quanto mais estudamos os principais problemas de nossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem ser resolvidos isoladamente. São problemas sistêmicos, o que significa que estão interligados e são interdependentes´. A atual pandemia, mais uma vez, nos faz repensar sobre os modelos econômicos e padrões de comportamento da Sociedade. ´Esses problemas devem ser vistos, como diferentes facetas de uma única crise´, que para Capra, é uma ´crise de percepção´. ´Ela deriva do fato de que a maioria de nós, em especial, nossas grandes instituições sociais, concorda com os conceitos de uma visão de mundo obsoleta, uma percepção de realidade inadequada para lidarmos com nosso mundo superpovoado e globalmente interligado´.

    Toda esta provocação de repensar valores, pensamentos e atitudes devem atingir os nossos líderes políticos, como também, a população de modo geral, através de uma profunda mudança de percepção e de pensamento para garantir a nossa sobrevivência no planeta terra. Na maioria das vezes, nossos líderes se recusam a reconhecer como as suas decisões afetam as gerações presentes e futuras. A partir de este olhar sistêmico, as únicas soluções viáveis são as ´soluções sustentáveis´.  O que nos aproxima dos estudos sobre a Sustentabilidade, considerando que propõe uma profunda reflexão nos antigos modelos, trazendo uma visão diferenciada nas relações econômicas, sociais e ecológicas. Destacando a necessidade de equilíbrio nas dimensões da Sustentabilidade, sendo elas, ambiental, social e econômica. É um processo de transformação entre as relações humanas com o meio ambiente lato sensu   (natural, artificial, do trabalho, cultural).

   O estudo acerca da Sustentabilidade, hoje, perpassa a dimensão ambientalista ou de profissionais especialistas no assunto. Pode-se observar o tema ‘Sustentabilidade’ sendo tratado na perspectiva educacional, empresarial, industrial, de entidades governamentais, não governamentais e em outras organizações sociais.

    Sustentabilidade diz respeito a uma condição de gestão que permite a permanecia e durabilidade de um sistema, partindo de processo de equilíbrio entre os fatores que o compõem. A aplicação prática do conceito de Sustentabilidade passa, indispensavelmente, pela adesão de um olhar estratégico, capaz de definir planos de ações que compreendam a totalidade dos problemas a serem solucionados, em uma escala de curto, médio e longo prazo.

  Nota-se que o grande desafio enfrentado pelos principais segmentos da Sociedade, empresas, governos e sociedade civil organizada, tem sido a transição do modelo de desenvolvimento atual, rumo ao modelo de Sustentabilidade.

    A Sustentabilidade deve ser compreendida em uma perspectiva ontológica, envolvendo todo o planeta, como um processo que reconhece a importância de cada ser, ambiente e organizações. Tendo como pressuposto, a qualificação e desenvolvimento de uma parte sem que haja prejuízos à outra, mesmo que haja um processo dialético, tanto na natureza como na história.

   Nesse sentido, passa a ser um conjunto de mecanismos necessários à manutenção de algo sem que gere danos (ou, pelo menos, os reduza) no ambiente referenciado, levando em consideração as demais variáveis para que haja uma interação de equilíbrio entre elas, sem conflitos e privilégios em detrimento dos demais.

    Desse modo, para solucionar as exigências provenientes da crise de Covid-19 aos olhares da Sustentabilidade, conduz ações acerca das seguintes demandas:

    a) construir uma política que garanta a Sustentabilidade da vida humana, individual e coletiva;

   b) estabelecer condições para a manutenção dos modelos sociais, visando uma Sustentabilidade responsável seja na proteção individual, do outro e da vida social, ou seja, pensar modelos de economia e Sociedade que assegurem a vida humana diante de qualquer situação;

    c) executar, com eficiência, um plano de ação que contemple a agenda 2030, cumprindo as recomendações dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável, atendendo às necessidades da geração atual sem comprometer a existência das gerações futuras.

   É tempo de agir com seriedade e responsabilidade! “

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

Este Blog sucede ao www.advocaciapasold.com.br que foi visitado 109983.

Esta página já foi visitada 1664536 vezes.

Site disponibilizado pela primeira vez em 18 de novembro de 2015.
Última atualização em 11 de Maio de 2021.
Responsável Técnico: Leonardo Latrônico Prates
Responsável Geral: Prof. Dr. Cesar Luiz Pasold