LIÇÕES DA PANDEMIA?

junho 11, 2021 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

FOTO RICARDO ROSAO Advogado e Professor Ricardo José da ROSA (Comendador e  Presidente do Conselho Deliberativo do IASC) atendeu nosso novo convite e retornou ao tema Lições da Pandemia, com importantes estímulos a novas reflexões. Leia o inteiro teor  a seguir:

“Escrevi, e foi publicado neste conceituado blog “Conversando com o Professor”, o artigo Lições da Pandemia, em que apresentei considerações sobre os ensinamentos que deveriam ser colhidos após a propagação da covid-19, desde seu primeiro aparecimento no Brasil em 20 de fevereiro de 2021.

Quando escrevi fazia pouco mais de um ano do início da pandemia e já contabilizávamos duzentos e quarenta e quatro mil, setecentos e sessenta e cinco óbitos, somente no Brasil.

Ao nos aproximarmos da metade do ano, em  3 de junho de 2021, nos aproximamos de quatrocentos e sessenta e três mil mortes. Trata-se de um número assustador e que justifica o pânico em que vive boa parte da população.

Relendo o artigo decido fazer da  afirmação (Lições da pandemia) uma indagação: Lições da pandemia? O que de fato aprendemos? Em que melhoramos? Ou aprendemos pouco ou quase nada? Passo a discorrer sobre minha nova reflexão.

No artigo original iniciei apontando a valorização dos profissionais da saúde como a primeira lição. Aprendemos? 0uso dizer que não, lamentavelmente não.

Os profissionais da saúde, os que arriscaram e arriscam suas vidas, os que não resistiram e faleceram perderam o espaço de solidariedade e respeito para uma nova categoria, repleta de vaidades, e que esbanjam posicionamentos ideológicos e\ou partidários como fim de adquirir patrimônio político, para si ou para seus líderes.

Discutem tratamento precoce, tempo para iniciar a vacinação, origem das vacinas e até, pasmem, liberação dos estádios para disputa de um campeonato internacional, quando tantos outros em igual situação já se encontram liberados, respeitadas normas como a ausência de público.

E não é tudo: não só médicos e cientistas entendem de medicina: jornalistas, comentaristas políticos, blogueiros, artistas, membros dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário se apresentam como “donos da verdade”, dizendo-se escorados em princípios científicos, mesmo sem formação profissional para tanto.

Como cantavam os “Demônios da Garoa”, tudo virou um samba do crioulo doido. Não é difícil atribuir tantos entendimentos a princípios ideológicos ou interesses partidários. E os verdadeiros profissionais da saúde,  tão citados no início da pandemia, estão esquecidos.

 Outra lição sobre a qual me manifestei no artigo anterior diz respeito às aglomerações e medidas de higiene. Digo eu, no artigo anterior, da necessidade de extrairmos como lição da pandemia os necessários cuidados com nosso corpo e nossa mente: “mens sana in corpore sano”. Vejamos se a lição foi aprendida: os números de novos casos não param de subir, assim como o número de mortos.

Todo final de semana, no entanto, somos informados pela imprensa das inúmeras baladas, às vezes com mais de mil participantes, sem quaisquer cuidados como o uso de máscaras e distanciamento social, numa verdadeira roleta russa em que não apenas os participantes arriscam suas vidas, mas também levam os riscos para seus familiares, muitos dos quais já idosos,seus filhos e cônjuges, para seus colegas de trabalho e amigos. Bebem do mesmo copo, sem noção de higiene.

 É verdade que as vacinas chegaram e estão sendo aplicadas em bom número, mas também é verdade que não evitam totalmente o contágio, não sendo raros os casos em que a doença é contraída após a tão esperada segunda dose. As fiscalizações acontecem, mas são insuficientes em razão do grande número de ocorrências em diversos municípios do Estado. Não raro os policiais encarregados de fazer cumprir as normas sanitárias são recebidos com pedradas ou, ainda pior, com tiros de armas de fogo. Quando reagem para impor a ordem são imediatamente apontados como truculentos.

E a vida segue, a pandemia se expande e não se aprende a lição. Outro tópico que abordei trata do excesso de informações negativas, como  de fonte de busca de audiência nos meios de comunicação. Se o artigo anterior tivesse sido escrito nesta data, com certeza não haveria o que mudar ou, o que é pior, deveria ser acrescentado o envolvimento ideológico de alguns profissionais da imprensa, comprometidos com um dos lados da bipolaridade que radicalmente se estabelece na politicagem nacional. Sem qualquer disfarce destacam fortemente as notícias que interessam aos seus interesses, ou de seus grupos, menosprezando as que possam valorizar os adversários. O profissionalismo não faz parte do quotidiano desses profissionais.

Como último ponto destaquei a necessidade de considerarmos a escolha correta de nossos representantes que integram os Poderes Executivo e Legislativo. Teremos a resposta nas próximas eleições, no próximo ano. Temo que também essa lição não tenha sido aprendida, embora reste a esperança.  Não há de se negar, porém, que muitos deles não conseguem manter as máscaras de bons políticos, interessados em promover o bem comum. Quase em pânico por não verem seus objetivos alcançados, apesar de todos os esforços e a colaboração da imprensa, atraem a indignação e a revolta  da população.

Ante o silêncio de quem deveria fazer a divulgação, as redes sociais se encarregam de propagar seus posicionamentos rancorosos e sem bons princípios, prepotentes, arrogantes e desrespeitosos. Mais que isso, denunciam seus passados manchados por atos de corrupção e outros crimes. É uma vergonha! Tenho a esperança de que ao menos sirva de ensinamento para que os eleitores brasileiros tomem consciência de suas responsabilidades na escolha de seus representantes.

 Por fim, e o maior mal que se tem cometido contra nosso país, vejo alguns membros do Poder Judiciário levando ao descrédito a magistratura nacional. Muitos já não acreditam na Justiça em decorrência de julgados calamitosos, sem amparo na Constituição da República e nas legislação ordinária, demonstrando igualmente o comprometimento com posições ideológicas ou dando ensejo à suspeita de corrupção. A grande maioria da magistratura, honesta e comprometida com a distribuição da Justiça, sofre as consequências do péssimo procedimento de uns poucos, mas poderosos.

Mas, “para não dizer que não falei de flores” encerro com uma mensagem de esperança: acredito que a consciência virá e novos tempos surgirão, com o aprendizado das lições da pandemia.”

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