ENGENHARIA E PANDEMIA

junho 21, 2021 Cesar Luiz Pasold Informações 0 comentários

foto claudeAtendendo ao nosso convite, o  Engenheiro Eletricista e Advogado,       Analista Técnico do Crea-SC, Ex-presidente da ACE – Associação Catarinense de Engenheiros e Membro Efetivo do IASC-Instituto dos Advogados de Santa Catarina, Claude Pasteur de Andrade FARIA , redigiu elucidativo texto sobre a conexão entre Engenharia e Pandemia. O inteiro teor, que merece leitura atenta, segue :

“A engenharia tem se tornado cada vez mais presente no mundo altamente tecnológico em que vivemos. Sem ela, nossas existências e estilos de vida seriam impensáveis. Alimentos, transportes, computadores, edifícios, aparelhos médicos: por trás de tudo isso há a inspiração e a transpiração de milhões de engenheiros e técnicos.

A pandemia de SARS-COV2, doença viral que ficou conhecida como Covid-19, tem sido um desafio e tanto para as nossas resistências imunológicas, assim como para os sistemas de saúde pública. No meio do caos que se instalou, surgiu mais uma oportunidade para a engenharia mostrar toda a sua capacidade de adaptação e de inovação.

Desde o início da pandemia, o mundo inteiro viu-se às voltas com a falta de equipamentos médicos, em especial aqueles utilizados nas UTIs – Unidades de Tratamento Intensivo.  A demanda por aparelhos, tais como ventiladores mecânicos, oxímetros, monitores multiparamétricos e tomógrafos, aumentou em proporções acima das capacidades instaladas nas indústrias. Com isso, houve a necessidade de um esforço h hercúleo da engenharia para equilibrar a oferta desses equipamentos com uma demanda sempre crescente.

Vislumbrou-se também a necessidade de se produzir equipamentos baratos, leves e tecnicamente mais simples, porque o enorme afluxo de pacientes às unidades de saúde obrigou as equipes médicas a improvisarem unidades de emergência em locais antes utilizados como ambulatórios, enfermarias, consultórios e até mesmo salas de espera, ambientes onde geralmente não se dispõem de instalações elétricas adequadas para receber equipamentos que consomem muita energia.

Para solucionar tais desafios, empresas – inclusive catarinenses[1] – passaram a desenvolver respiradores e ventiladores portáteis alimentados por baterias, que, evidentemente, nem sempre substituem os equipamentos de maior porte e complexidade usados em UTIs, mas que podem manter a oxigenação dos pacientes em situações críticas até que possam ser transferidos para ambientes mais adequados.

Nessa mesma linha de atuação, foi desenvolvido em tempo recorde por engenheiros e estudantes de engenharia de uma empresa incubada no CIETEC da USP/IPEN, um equipamento de esterilização de ar que elimina 99,99% das bactérias e vírus patogênicos e que pode ser usado em ambientes residenciais, comerciais e até mesmo hospitalares[2].

Outro grande desafio para a engenharia em tempos de pandemia foi o de tentar manter em funcionamento a gigantesca e complexa cadeia global de suprimentos de gêneros alimentícios, remédios, equipamentos médicos e tudo o mais imprescindível à nossa subsistência, visando minimizar os impactos econômicos causados não pela pandemia em si, mas pela desastrosa administração que dela fizeram a maioria dos governantes.

A engenharia também se viu às voltas com uma nova forma de as pessoas executarem suas atividades profissionais. O “home office” se tornou um método de trabalho tão ubíquo que já se pensa em utilizá-lo de forma permanente e definitiva, para a grande maioria dos que desenvolvem trabalhos de natureza eminentemente intelectual.

Redes de comunicação dos mais diversos tipos, desde entroncamentos de fibra óptica até torres de telefonia celular, bem como instalações de “data centers”, tiveram de ser construídas ou ampliadas a “toque de caixa”, para dar conta do aumento exponencial de tráfego de dados que passou a ser demandado por centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo. Planejamentos de sistemas integrados tiveram de ser feitos em tempo recorde por especialistas em engenharia, informática e logística. Milhares de empresas foram mobilizadas para tirar do papel e construir todas essas estruturas, envolvendo centenas de bilhões de dólares em materiais e mão de obra.

É provável que em nenhum outro momento da história da humanidade, com exceção talvez das duas grandes guerras mundiais, tenha havido uma mobilização tão grande da engenharia para prover as soluções emergentes de que a humanidade tanto necessitava.

Infelizmente, nem todas as decisões políticas tomadas durante essa pandemia tiveram o necessário suporte técnico-científico. Motivações outras que não a ciência levaram governantes inescrupulosos, despreparados ou simplesmente apavorados a adotar medias que causaram mais mal que bem à população.

A título de exemplo, veja-se o que ocorreu com o transporte coletivo na maioria das grandes cidades. Para compensar a queda de arrecadação com as tarifas de transporte urbano, devido à redução de passageiros (impedidos de trabalhar por lockdowns sem fundamento), prefeitos e governadores diminuíram as frotas de trens e ônibus causando aglomerações sem precedentes em quase todas as faixas de horários de funcionamento. Uma consulta prévia a engenheiros de tráfego e de logística de transportes teria mostrado o desacerto dessas decisões.

A pandemia de covid-19 colocou à prova a capacidade de a engenharia se reinventar em curto período de tempo. Os resultados têm sido satisfatórios em praticamente todos os setores. Saúde, agronegócios, transportes, logística, infraestrutura, são áreas de atuação para engenheiros que, com toda a certeza, estarão em alta nos próximos anos.

Para isso, será necessário que as escolas de engenharia comecem a pensar mais na qualidade da formação acadêmica que na quantidade de profissionais graduados. Um estudo recente do IPEA mostrou que há uma grande oferta de engenheiros, mas faltam profissionais qualificados para atender às exigentes demandas do mercado[3].

Apesar de todos os percalços, a engenharia tem se mostrado preparada para encarar desafios, seja em tempos de paz ou de guerra, mesmo que contra minúsculos inimigos invisíveis.

Pena que os políticos não tenham a capacidade de resolver problemas de forma acertada e eficiente como a engenharia.”

[1]https://www.weg.net/institutional/BR/pt/news/produtos-e-solucoes/weg-se-estrutura-para-fabricar-respiradores-artificiais-para-pacientes-com-covid-19

[2]https://brasil.elpais.com/brasil/2020-08-09/fritar-o-virus-empresa-brasileira-cria-esterilizador-capaz-de-eliminar-o-coronavirus-do-ar-e-os-aerosois.html

[3]https://www.ipea.gov.br/portal/index.php? option=com_alphacontent&ordering=3&limitstart=5610&limit=20&Itemid=0 “

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